29 de abril de 2011

Solidão dos dias



Sento-me neste jardim que embeleza parte desta cidade e procuro abstrair-me de tudo o que me rodeia.
Prefiro fingir que nada existe do que assumir esta ruptura entre a minha vida e a motivação.
Podemos esperar muito da vida, dos outros e de nós mesmos. Ou pouco.
Podemos imaginar todo um futuro de dias na nossa vida. E fazer planos.


Embelezá-los, dar o melhor de nós e da nossa imaginação, para que tudo se concretize como desejámos. Podemos interrogar-nos acerca de mil coisas e não obter resposta nenhuma. Ou nem as querer obter.


Ou ainda, várias respostas e nenhuma ser a certa. E nenhuma ser uma certeza.
Porque ainda estamos no Presente... E porque nos esquecemos muitas vezes que não somos donos do tempo nem dos momentos. (Deveríamos?).
Passamos os nossos dias rodeados de pessoas. Muitas pessoas. Várias pessoas.
A grande maioria dos nossos dias (e noites).
Podemos estar rodeados por todas essas pessoas e ainda assim permanece a estranha solidão.
Podemos, é um facto, estar rodeados de pessoas menos próximas, com quem nos cruzamos nos nossos dias mas de quem não exigimos mais do que um sorriso hoje e uma palavra amanhã.
Podemos estar rodeados de pessoas mais próximas, que realmente sabem o que dizer e quando dizer, como agir, como falar e como ouvir, sem termos de lhes explicar como...
No fundo, podemos estar rodeados até pelas pessoas que nos fazem mais felizes, que, invariavelmente, há um momento ou outro do nosso dia em que nos sentimos tremendamente sós...


E é como se uma barreira invisível nos separasse do Mundo.
...Porque tudo se resume a uma coisa tão simples como podermos compreender os outros, saber como se sentem, mas não podermos efectivamente viver por eles nem eles por nós.
Podemos realmente sentir todas as partes em que um coração foi despedaçado, mas não podemos tê-lo como nosso.



Podemos estar aqui, ter o Mundo aqui, as pessoas aqui.. e sentir: a solidão inadiável e inerente a qualquer Vida!

13 de abril de 2011

Novo Presente

Hei? Estás aí?
Vamos conversar um pouco.

Senta-te aqui, na areia e à beira-mar.

Tu Comigo. E Eu Contigo!

Lembras-te quando me magoaste pela primeira vez? Ignorei e fingi que não havia motivos para recuar, porque só queria o teu amor e mais nada. Nesse dia, não soube dizer mais do que : "Sabes que te amo demais!."

Desde esse dia até hoje, vão anos; largos anos. E o que sei dizer agora é: "Ainda te amo demais!".

Todos os dias te procuro dentro do meu coração e sinto-te marcado em mim, através dos teus beijos, a tua pele, o teu calor.. os sonhos que construimos, as palavras de ternura..

ah.. que saudades da nossa paixão!

Fecho os olhos, e desejo tanto que nada leve este amor.

Sabes que ainda estás em mim, em cada pedacinho das minhas lembranças.. e na minha esperança.

Mas também sabes que me rendi ao futuro e por isso, decidi esquecer o passado.

O futuro será sem ti.

Ouve-se o mar e esta brisa encharca os nossos pesadelos - com raios de sol - estes, transparecem a esperança de amanhã.

Estamos em silêncio; sabemos que ainda há amor. Muito amor.

Mas.. nenhum de nós o consegue recuperar.

Agora, talvez te possas perder por aí, como tens feito...

...e devorar o que a saudade te der.

A vida leva para longe, os pedaços de tempo que deixaram um sabor amargo.

A água do mar inunda os teus olhos - reflectem a minha alma - que não podes tocar.

Estou cansada.

Perdida.

Vou devagarinho com medo de falhar.. e talvez encontre os sonhos meus.

9 de abril de 2011

Aprende-se a calar a dor...

Sempre fui bastante imbecil, no que concerne aos sentimentos.
Aprendi desde cedo, a calar a dor. Fingir que nada sentia, que não tinha medo e que não temia a solidão e/ou abandono.

Continha os gestos, o protesto, a raiva, a tristeza e injustiças...

mas há um dia, em que a alma nos rebenta nas mãos. Hoje é o dia.

Após tantas batalhas vencidas, eis que hoje, me acobardo frente à imbecilidade que construi.

Tomo a decisão de dar "o tal passo" em frente, uso esta dor como motivação, para me manter neste trajecto.

Pois, o coração, leva-me sempre a continuar nestes sonhos.


Costumo ouvir pessoas dizer :

"Só me arrependo daquilo que não fiz".


Errado. Imbecis.


Eu arrependo-me muito, de grande parte daquilo que fiz. Da forma como me limitei na vida. Na maneira como hipotequei a minha alma. O meu Ser. A minha realidade.

Aprende-se a calar a dor.. porque tudo o que nos sobra é a esperança. E conseguimos viver apenas com esperança, sabiam disso?

Nada mais é preciso, desde que a pessoa acredite naquilo em que deseja acreditar.

Pois, todos os nossos caminhos parecem seguir esse desejo.

Gente perdida. Imbecil, Perdida entre o sonho e a verdade.

Sinto tanto, que este seja o único passo possível. Lamento ainda mais, que nunca o tenha assumido como a verdade.


Aprende-se a calar a dor.. mas felizmente, há um dia, em que a alma nos rebenta nas mãos!

2 de abril de 2011

Partilha




Quem estiver interessado em visitar,

partilho aqui a ligação deste blog, que apela ao bom humor.

Boas leituras.

18 de março de 2011

Enquanto escurece


Não são raras as vezes que caio no vazio do meu pensamento. Procuro incansavelmente uma justificação para os meus actos e omissões. Desejos escondidos que me possam salvar destes sentidos que me mantêm presa a esta melodia de vida. Melodia que já não escuto.
Com o passar dos anos, dei por mim, a ver as coisas de forma oposta e mais longe; tentei tocar o olhar de alguém com o meu mundo e o que ficou?
Danças no escuro, marcas de desânimo.. foi o que restou.
Nunca deixo o meu coração questionar demais a vida; mas nem sempre me obedece - e hoje - aqui sentada perante o universo - sinto que deixei voar os sonhos e vivi sempre numa tormenta, sem abrigo, sem abraço e sem ninguém com quem contar!
Dia após dia, ao cair da noite, lá estava eu: parada a ver tudo a se perder; a se evaporar por entre os dedos da alma. Nada fiz para mudar as marcas infiltradas na pele; marcas das batalhas que superei por ti.
Mesmo assim, não deixei sair o sol, mantive-me naquele abrigo onde perdi os meus sonhos. E ainda permaneço. Há qualquer coisa em nós inquieta e ferida, e tudo o que um dia acreditei me prende a este chão.
Mas já não é seguro, e o tempo não cura o sabor amargo da dor. Quero libertar-me do pouco que resta - mas não consigo.
O que faz com que ainda troque palavras contigo? A noite arranca-me sempre a esperança e mesmo assim, volto a estar aqui, no amanhecer.
Quero partir por novos mares, novos olhares, novos horizontes. Onde tudo fique mais calmo.
Sei se eu fosse a tua pele e tu o meu caminho.. nunca me teria sentido ultrajada nos meus sentimentos.
Percorre os meus pensamentos. Sabes que pouco ou nada existe de ti no meu coração.
Prescindo hoje, aqui, agora - do teu coração. Não há mais nada a fazer.
E lamento por isso. Mas enquanto escurece pressinto os teus gestos.. perdidos no ontem; não há nada que me faça querer-te aqui.
Prefiro um sopro do vento, que a dor que me mantém ligada a ti.

16 de março de 2011

Defeito ou feitio?

Há várias coisas que não suporto, mas hoje, vou falar apenas de uma,
o mau humor.
E sim, para os mais desconfiados, sim, eu tenho mau humor, dia sim, dia não.
Mas mesmo de mau humor consigo ser uma óptima companhia (excepto raras excepções), consigo animar as pessoas que me deram oportunidade da sua companhia e, apesar de chorar por dentro grande parte das vezes, contagio os outros com a minha capacidade de sorrir.
Ora, mas há pessoas por aí que são insuportavelmente mal humoradas.. elas andam por todo o lado.. são pessoas que nos afectam só com a sua forma de estar; que nos desmotivam só com a sua forma de não encarar a vida e, que nos deprimem pela forma triste e monótona que vivem a vida.
Não tenho nada contra estas ditas pessoas, desde que não cruzem o meu caminho.
Confesso, que não é fácil viver uma vida inteira com um sorriso no rosto! Subscrevo que a vida é na maior parte dos dias, difícil.
Mas meus amigos, vamos lá cair na realidade: o mau humor não resolve nada, superem-se; ou pelo menos, afectem menos quem cruza o mesmo trajecto.
Não sou sempre bem disposta (felizmente, porque provavelmente seria exagero), mas estou sempre atenta às necessidades do outro.
Esqueço problemas, obstáculos e arrufos com a vida, para encarar os outros com bom humor e alegria.
E isto não é um mero texto, é mesmo uma chamada de atenção a todas as pessoas que não são capazes de viver o dia a dia, de forma leve e calma. Estamos sempre a combater, somos uns guerreiros - os sobreviventes - e isso faz de nós campeões de uma guerra sem fim.
A importância de um sorriso é indescritível e não cabe nas palavras que possa aqui proferir; as pessoas que vivem afundadas em mau humor não sabem o que perdem, nem quem perdem!
Sejam felizes, não estão a fazer um favor a ninguém.. senão a vós mesmos!

Noite


Caiu a noite neste fim de dia cansado.
O meu coração palpitava pela chegada do nosso momento - aquele que temos partilhado todas as noites; que loucura esta deste sentimento que não cabe dentro do peito e saltita por aí.
Mudei a estação do rádio e adaptei o som à música calma que tocava naquele momento.
Abri a janela e inevitavelmente senti a brisa fresca a abraçar-me a alma.
Este aviso era para mim, este aperto que eu chamei saudade, era para ti.
A lua estava distante, mas mesmo assim, conseguia ver as suas formas entrelaçadas nas cores do céu; como queria ter-te aqui.. percorrer as minhas mãos pelo teu corpo, entoando notas perfeitas de amor.
Pegar nos teus sonhos e transforma-los nos meus desejos.
Esta noite falhaste ao nosso momento; estou tão só. Tal como a lua que nunca se cruza com o sol.
Tal como as gotas de orvalho que se emancipam nas folhas verdes das minhas flores preferidas.
Amores perfeitos? Ou sonhos construídos na imensidão da nossa vontade?
Hoje não estiveste aqui, mas estás no pensamento de quem te imagina em mim.
Não me faças perguntas, porque nada que eu te diga vai indicar o caminho certo.
Esta noite, proclamo às estrelas um desejo tão meu: um amor, tal e qual, o teu.

14 de março de 2011

Talvez não haja amanhã

De todas as vezes em que existe, o amor começa da mesma forma.
Inicia-se com,
o ar que nos falta no peito, uma brisa quente numa tarde de verão, a entoação perfeita de uma canção, o abraço mais apertado, o desejo e a pressa perante a vida, corpo seco que mata a sede, risos emaranhados com saudade, sonhos elevados ao céu, mãos entrelaçadas e planos especiais...
mas..
chega um dia em que.. a nossa alma proclama em alta voz: talvez não haja amanhã.
É aqui que o encanto se perde - o amor não são só borboletas no estômago e afins, dignos de romances.
Muitas das vezes, a mesma pessoa que um dia conquistou o nosso coração, pode violenta-lo de forma abrupta sem mesmo nos enviar um bilhete a avisar.
Fala-se aqui, de uma violência maioritariamente emocional. Naquele momento sentimo-nos um livro aberto que não quer seguir com a sua história; é melhor não dizer mais nada - não haverá amanhã.
São desfeitos os planos, o desejo dos corpos, as almas abençoadas, os sonhos e tudo em nós se quebra em mil pedaços.
Não é apenas um desgosto de amor, é antes de tudo, um sofrimento atroz e uma traição aos nossos sonhos. A nós mesmos e à vida.

O término de um amor, implicando qualquer tipo de violência, acaba com o pouco que até então havíamos construído, individualmente e a dois.
Quão cruel pode ser uma pessoa que trai sentimentos, confiança e expectativas?
Quão violento pode ser, arrasar os sonhos, os ideais, a auto-estima e a autonomia de outra pessoa?
Não é apenas uma noite mal dormida, nem um arrufo de quem está de mal com a vida..
ficamos parados entre a lembrança do primeiro beijo e o estalo emocional reflectido na última oportunidade.
A distância aqui, é a única salvação lógica, que permite o retorno ao mundo real impregnando em nós as marcas desta violência.
E ficaremos antes de mais, sentados, naquele canto da vida, em que bate um raio de sol e,
dizemos baixinho e com medo,
ao nosso coração:
Não voltarei a amar.

(Participação no tema de mês de Março para o blog http://fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/ - visitem)

Pedir ao Universo

Diz-se por aí que
tudo aquilo que pedimos ao Universo, retorna a nós através da força daquilo que desejamos.
Tantas vezes desisti por falta de força, por falta de coragem e por acreditar que não havia mais nada a receber. Nem mais nada a oferecer.
Só para afastar estas dúvidas, hoje, vou pedir ao Universo, aquilo que me falta.
Redigir uma carta especificamente para Ele.
Tenho a certeza, que a noite ficará acesa até tudo pertencer ao meu peito. Que o vento cairá sobre mim com a ternura da sua brisa.
Que os sonhos vão esvoaçar por cima do meu coração, onde lhes poderei tocar e escolher quais irão ficar.
Nesse momento não vou falar, vou sim, ficar neste meu lugar.. que há muito perdi. Só eu e o Universo.
Confio na força das palavras, na eloquência das frases rasuradas num papel timbrado;
na inocência dos sonhos e na subtileza dos nossos desejos;
acredito na sabedoria da mente e no optimismo com que encaramos a vida.

Passamos grande parte da nossa vida, a desejar o que não temos e a inferiorizar o que faz parte de nós; caímos neste erro, vezes sem conta, repetidamente, ao longo da existência.
Aquilo que fazemos (e tão bem) é lamentar por tudo aquilo que perdemos, sem entender, nem um segundo sequer, que ficaremos bem, independentemente das amarguras da vida.
Anulamos as informações dolorosas.
Recalcamos factos.
Recusamos que as coisas vão e vêm; que nada é estático e intemporal; que nada é eterno - nem mesmo a liberdade de escolher os pedaços do nosso puzzle.
É muito mais forte.. que o nosso desejo.
O segredo é saber atravessar o deserto com um sorriso.
Ficar no lado de cá, a lamentar não resolve rigorosamente nada.
Para se obter sucesso em qualquer área, é preciso concentração e focalização, no que de mais importante queremos, e é essa a arma da nossa mente. E a nossa. E a nossa.
O pensamento gera comportamentos. E vice-versa.
Somos matéria capazes de: Pensar. Reflectir. Raciocinar. Pedir. Desejar. Ser. Interpretar. Melhorar. Recuperar. Amar. Odiar. Perdição. Encontro. Raiva. Sorrisos. E tanto mais..
Como a força do mar.. somos a calma de um rio e uma chama que arde. Passado e presente. Futuro que há-de vir.
Basta a palavra certa que entoe de forma perfeita na voz do nosso silêncio.
Basta querer e aceitar quando não recebemos.

13 de março de 2011

Sorrir - a paz da alma.

Gosto de rir. Gosto de ver alguém a rir. Gosto de fazer rir. Gosto que me façam rir.
Gosto de me rir até não aguentar. Gosto de fazer piadas sobre tudo e sobre nada.
Gosto de acompanhar o bom humor de alguém e de partilhar o meu.

Sou feliz, quando alguém me arranca um sorriso sincero e uma gargalhada digna de ser memorável.

Gosto de filmes que libertam sorrisos.
Brincadeiras que não me deixam sentir só.
Gosto de manhãs que soltam risos espalhados pelo chão e olhos brilhantes que reflectem a paz da alma.
Com um sorriso, nada é intacto. Tudo na vida se desfaz em pedaços alucinantes e o luar choca com a neblina.

Com um sorriso, nunca me esqueço de sonhar. Não sufoco os sonhos, nem os dias. O tempo é tão voraz quando um sorriso me vira do avesso e desfaz as certezas deste meu mundo.
O sopro de uma jura, balança o meu sorriso e contamina os meus medos.
Gosto de ser desarmada pela companhia do teu sorriso.
Tudo o que o sorriso faz em mim, ultrapassa o mundo dos sonhos; a racionalidade e a vida.
Quase nada parece bater certo, pois qualquer coisa em nós, inquieta e alivia.
Com um sorriso, é impossível que alguém se sinta sozinho; nem a noite arranca a cumplicidade que temos até amanhecer.
Fica tão fácil entregar a alma, a quem nos traga um sorriso do deserto.
O sorriso, faz-me sentir, que há sempre pequenos abrigos, para onde podemos sempre fugir.
E tudo aquilo que me podem dar, é um sorriso.

4 de março de 2011


« Não sei como vieste,
mas deve haver um caminho
para regressar da morte [...]
Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti,
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui [...] »

Eugénio de Andrade

3 de março de 2011

Mais que uma ausência

Não queria passar por aqui, mas parte de mim é aquilo que escrevo através dos poros da minha alma,
transcrevendo fardos de vida que se amontoam na solidão dos dias.
As imagens estão sem som, na minha vida; e os corpos são deixados para trás como fruto do abandono.

O rosto e as mãos, unem-se num movimento lento e leve que cede à imensidão do esquecimento.

Podia rasgar os papéis ardentes no pensamento, que te colocam na sombra de quem disse adeus,
mas não me sinto fiel ao fazê-lo.
Fidelidade é algo que quero preservar, por mim mesma.
Com o vento e a poeira, surge o cansaço que me faz estar à deriva, sem saber qual o momento de parar para não mais ouvir a voz do coração.
Mais que uma ausência, isto é, o desejo escondido de querer mais do que aquilo que ficou.
Não procuro aprovação tua para as minhas palavras e para os meus actos.
Não quero piedade pelos sonhos que destruíste aos poucos.
Quero os sentidos que me fazem ouvir novas canções.
As pessoas estão a perder os gestos loucos que as caracterizam; perdem o fogo que devia crescer de mão em mão; deixam flutuar no escuro os sonhos.
Ninguém está interessado em criar laços, em partir para novos horizontes, nem tão pouco, há alguém interessado em deixar voar os sonhos.
Sento-me um pouco aqui, e fico no meu abrigo. Choro; porque não tenho medo de assumir que sou fraca e que este sentimento de dor, piora de dia para dia;
Nem sempre é assim, vale-me isso. E vale-me o sorriso com que enfrento as batalhas.
Há dias em que a ausência é mais que isso.
Estar perdida é tanto como procurar além da realidade.
Não estou a baixar os braços, explico apenas, a razão que não os mantêm sempre em luta constante.
Explico a ausência que me prende ao nada.

2 de março de 2011

Irrequieta

Pressinto o teu corpo,
que me suga para perto de ti.
Em instantes sou uma gota de loucura,
que oscila na fronteira situada entre
a lua e o mar.
Irrequieta mulher que procura qualquer coisa,
que faz querer-te tanto.
Que sempre me fez aceitar a tempestade e.
O lado monótono da realidade.
Irrequieta por te esperar sempre
no mesmo quadro do sentir.
Abraço-te com o poder das recordações,
adopto aquele olhar perdido e a armadura
que custa a arrancar.
Agora ninguém vai chegar.
Alma tanto irrequieta quanto os incêndios
que reflectem os sinais que ficaram.
E o que foi, foi triste.
Mesmo que estejas ao meu lado.

22 de fevereiro de 2011

Herrar é Umano


Herrar é Umano,
e só não erra quem não tem humanidade em si.
Após algum tempo de quase-ilusão, fantasia até,
entendi que muito daquilo que existe na nossa vida, é apenas força do nosso querer, fruto da imensidão da nossa imaginação movida por desejos ocultos.
Quantas vezes nos enganamos relativamente: a pessoas, sentimentos, planos, futuro, presente, passado, vozes, corações, olhares, mundo (...).
Numa primeira fase, julgamos que erramos,
posteriormente entende-se isto: faz parte, desconhecer o caminho, as pessoas e o nosso envolvimento com elas.
E no desconhecimento, temos a grave tendência a imaginar; construir princípios, meios e fins.

Sem assumir que as consequências reflectem a realidade.


As pessoas não são tão grandes quanto as construimos no nosso coração e pensamento; são apenas elas mesmas, que na maioria das vezes se limitam a passar despercebidas.
Palavras que com o tempo somem e, balançam os dias com meras conversas de circunstância. Restam os sentidos que nos obrigam a procurar respostas para as imensas dúvidas que fluem no ar. Enquanto me confundi, também eu, procurei respostas de mão em mão.

Erradamente quis um caminho que não existia e, percebo agora o quanto te colocas na insignificância.

20 de fevereiro de 2011

Simplicidade

Defendo a simplicidade - da vida, das coisas, dos acontecimentos, das pessoas, dos sentimentos (e afins).
Não gosto de gestos complicados, nem de palavras subentendidas.
Muito menos, dos gestos e das palavras que ficam sem sentido e sem serem provados.
Quero que tudo aquilo que passa por mim, deixe a sua marca, simples e prática. Original.
O simples, é a minha cor.
Não sei fingir existir sem este brilho da cor. Só sei colorir.
A vida e os meus sentimentos.
Mesmo que a palavra a ouvir, não seja a desejada, é a indicada.
A vida passa por nós e as pessoa também. Muitas sem cor. Sem sentir.
Sem mostrar a simplicidade dos gestos e da verdade que têm para nós.
Gosto de tudo, quando é simples e sincero.

19 de fevereiro de 2011

Voz no silêncio

Se a verdade estivesse no fundo do mar, não me importava de esperar sentada na areia; até ao dia em que os murmúrios da água trariam até mim, a sorte.
Se a vida tivesse algum significado, atrevo-me a dizer que este vem com as ondas do mar - salgadas e frias.
Mantenho as minhas pegadas na areia húmida marcada pela proximidade do mar - falta-me o ar e não encontro as palavras certas para entender esse teu lado perverso - oh vida!
Quis fugir, após ter encontrado sentido a uma prece que sempre quis cumprir; Fugi para não ter de encarar a falta de certezas e os "mas" da vida.
Fugi porque queria que a saudade fosse embora; fugi porque não quero voltar a chorar mais por dentro, do que por fora.
Não ganho nada, é certo. Mas perder também não faz parte destes planos a curto prazo.
É sempre assim? Quando acreditamos em algo na nossa vida?
Caímos sempre no desespero de não alcançar o que desejamos?
A música está alta, e o tempo está a meu favor!
Deixo que a tristeza passe no meu rosto, mas não permito que permaneça.
Não quis construir grandes sonhos, em cima de bases falíveis do conhecimento mútuo. Fui cuidadosa, aliás, fui cautelosa - mas o facto é este: não adianta o quanto queremos controlar a vida e os sentimentos - somos pedaços de nada comparados à força do que existe para nós.
Destino? Sei lá bem... Nunca fui capaz de acreditar no destino; que aberração acreditar-se em planos que o universo tem para nós.
Mas como sempre, acabamos sempre por aprender... e pergunto, que queres para mim, Universo?
Filtro toda a luz que existe na escuridão dos movimentos do coração.
Concluo que avançar é erróneo.
Fico aqui, com a minha voz no silêncio,
que posso quebrar com a tua vontade.

Novo dia (parte IV)

"Tanto tempo que passei à espera deste sorriso que provocas em mim; esta sensação de bem estar eterno."
Joana, volta a perder-se nos seus próprios pensamentos e não esmorece o sorriso que mantêm no seu rosto,
agora um pouco rosado, pelo constrangimento que sente.
- " Hoje o dia está particularmente quente, não concordas? Um bom dia para encontrar alguém especial! Mas.. nem era preciso este sol, pois não?!
Joana, não acredita no que acabou de ouvir. Miguel estaria mesmo a dizer aquilo, ou seria (e como sempre) fruto da imaginação dela?

- "Hum.. acreditas que prefiro a chuva? Julgo que sou uma mulher do frio." Diz Joana; Sorri e prossegue,
-" Mas este sol, bem.. o sol que hoje trouxeste até mim; este, não trocaria por nada!".

"Que vontade louca de percorrer todos os caminhos a teu lado. És doce e, percebi isso através do brilho deste momento.!" Pensa Joana.

Miguel não deixa esconder alguma emoção,
- " Pareço um desesperado. Exactamente a atitude que não iria querer ter perante ti. Desculpa-me. Mas admito que ultimamente me sinto um realizador de curtas metragens.!"

Permanece o silêncio.

Miguel num tom delicado e tímido convida Joana,
-" Queres acompanhar-me num passeio? Pelas ruas da cidade; até não podermos mais? Não precisamos de proferir nenhuma palavra. Não agora. Teremos toda a vida para isso."

- " Este é o melhor plano que poderia ter para o dia de hoje.!"

Lado a lado, e de mão entrelaçada caminham em silêncio, sem se sentir abandonados por um sorriso,
sorriso este, tão óbvio que transparece felicidade.



18 de fevereiro de 2011

Desabafos do Coração

Não quero falar de nada, mas preciso de falar acerca de tudo; quando há qualquer coisa que sufoca, precisamos de libertar o coração para que este, possa procurar ajuda.

Há uns anos atrás, pensei ter tudo aquilo que havia para possuir, fruto talvez da imaturidade emocional - o pouco que tinha, satisfazia o meu mundo e completava o meu coração.
Com o tempo, fui percebendo que eram mais as vezes em que chorava, que aquelas em que era realmente feliz.

Era mais aquela sensação do "estou bem". Mas na verdade "bem" não devia ser suficiente para nós; não deveríamos querer mais?
Na vida temos de estar sempre em equilíbrio, certo? Tal e qual uma balança. No mínimo, tantos momentos bons como momentos menos bons.
Mas durante anos, o sabor da minha vida era agri-doce; muitas das vezes, simultâneamente. Sentia-me em completo desequilíbrio emocional.

Não posso omitir que fui feliz em alguns momentos destes que hoje recordo, mas por mais que me queira recompor, lembro-me sempre daquilo que me feriu e de certa forma, moldou a pessoa que sou hoje.

Após vários anos de obstáculos, chegou o dia em que o inevitável aconteceu. Continuei a amar, mas desta vez, sabia que não tinha mais defesas para poder continuar neste vaivém de emoções; de avanços e recuos; de tristeza e de sorrisos; de sim e não; de amo-te, preciso de tempo; de mimos e frieza; de surpresas e apatia; de tudo e nada.
Hoje sei, que a vida não é somente aquilo que fazemos dela; é mais; a vida é tudo.
O conforto que sinto a teu lado, abafa a minha dor - chamo-lhe amor companheiro; há uns tempos não queria mais nada, porque me perdi sem rumo certo e me deixei vencer pelo cansaço.
Amor é isto que tivemos - erros e perdão - esta foi a essência da nossa vida comum.
Agora, entendo a montanha russa em que vivi, e acima de tudo, sou grata pelo teu companheirismo. Mas paixão, aquela paixão que arde intensamente e afasta toda a nossa tristeza... ficou num passado bem distante - antes de tudo nos ferir o peito.
Não tenho fé no amor de amanhã - nem contigo, nem com outra pessoa. Mas sinto-me bem, porque ganhei força para vencer as coisas menos boas, sem ter de fingir que estas não existem.
Que liberdade que sinto em mim, a poesia corre pelas minhas veias como se me tivessem devolvido a alegria.
Amar é difícil; é melodia que nem sempre entoa com perfeição. É a luz que nem todos abraçamos.
Mas a liberdade, aquela que é nossa, por direito, é o maior prazer de todos os tempos.
Uma alma livre é antes de tudo, a prioridade.
Digo-te aqui, baixinho: Obrigado por me proporcionares esta aprendizagem de vida.

Novo dia (parte III)

Segundos após se virar, Joana, só se consegue concentrar naquele sorriso. Meigo e doce, mas forte.
As palavras atropelavam-se no pensamento, mas não são reproduzidas pelos lábios.
Murmura para si mesma "Joana, diz alguma coisa! Olha a figura que estás a fazer.. Mas que sorriso apaixonante, que toque tão suave!
Pronto, lá estás tu a sonhar. Cai na realidade e diz alguma coisa coerente e sem pareceres uma maluca desesperada."
Joana sorri, como consequência do seu próprio pensamento e diz de forma calma:

"- Ola, sou a Joana e, estou bem, não te preocupes.
Eu é que peço desculpa pela inversão de trajecto inesperada.
E tu, estás bem?"

"- Ola! Miguel" - diz o desconhecido estendendo a mão.
Joana sorri de forma sincera e profere, estendendo também a mão.
"- Miguel! Prazer. Mas julgo não ser necessária esta apresentação formal.".

Ambos sorriem. E ficam petrificados com os olhares. Ali mesmo. O mundo parou.

17 de fevereiro de 2011

Novo dia (parte II)

Joana, continua o seu caminho, irritada consigo mesma, por se deixar absorver por sonhos que nunca conseguiu realizar, além da própria imaginação.

Decide portanto, voltar para casa. Quer descansar no seu porto de abrigo, mas não consegue evitar dizer para si mesma:
" O que queria mesmo, era encher a minha mão com areia da praia e vê-la cair lentamente sobre a água do mar. Tal e qual, cinzas da minha alma.".

Presa neste pensamento, inverte o seu caminho e encosta subtilmente o ombro a alguém que por ali passa, naquele exacto momento.

Diz: - "Desculpe.", ao mesmo tempo que continua caminho com os olhos postos no chão.

Dá dois passos e pára. Fica imóvel por segundos e não reconhece como válida aquela acção que o seu corpo tomou.

" Lindo, agora paras aqui no meio da rua, a fazer de mim uma idiota. Só a mim!Vamos para casa".

O corpo não obedece ao seu pensamento e, o coração acompanha-o, quando começa a acelerar estranhamente.

Joana sente então uma mão sobre o seu ombro, e alguém bem perto do seu pescoço:
"- Estás bem? Desculpa se te magoei.".

Decidida a pôr fim aquela situação, Joana roda o seu corpo no sentido do relógio e fica frente a frente com o desconhecido...

16 de fevereiro de 2011

Novo dia (parte I)

Ouvem-se risos intensos do lado de fora, que interrompem o descanso de Joana naquela manhã.
Esta, não perde tempo, levanta-se e corre para a janela, nunca perde a novidade das coisas, abre as cortinas vermelhas e deixa entrar a brisa do sol, quente como só ela. Repara então que no jardim em frente, um grupo de crianças electrizadas já aproveita o calor do dia.
Joana sorri e pensa que não tem muito mais que fazer em casa. A vida espera-a do outro lado das paredes.
Cuida das suas rotinas quotidianas, e sai.
Passa pelo jardim e sorri para as crianças, como agradecimento deste acordar diferente; estas, respondem-lhe com um aceno de mão, como convite para se juntar a elas; Joana agradece com um beijinho que deixa esvoaçar pelo vento, mas explica que hoje não.
Percorre por minutos as ruas da cidade; como ela adora aquela cidade. Sabe-lhe a liberdade, a paixão e a conquista.
Esta cidade sempre esteve a seu lado, de noite ou de dia, na tristeza e na alegria, na guerra e na paz. Tal como um casamento perfeito.
Joana ama aquela cidade, de coração; cidade que a acolheu e, sente que é ali que encontrará o seu caminho.
Passear pela cidade fazia dela a princesa do seu próprio reino, de corpo e de mente, adorava cair a seus pés.
O sol ajudou o seu estado de espírito e, Joana, decidida a esquecer a dor ardente da alma, pega nas armas, tal como uma guerreira e deseja profundamente, que aquele dia seja o novo dia.
Todas as pessoas passam, com indiferença e, Joana não se assume uma perdedora, sabe que um dia, alguém iluminará o seu dia.
Tudo corria normalmente nessa manhã, até ao momento em que Joana sente um aperto no coração , que exige que ela encoste o seu corpo naquele banco de jardim, mesmo ali ao lado. Permanece quieta por uns minutos.
Fecha os olhos e, esconde a dor que está a sentir. Como sempre, e sonhadora como é, deixa-se invadir pelos desejos que têm para si.
Abre os olhos sobressaltada e, castiga-se mentalmente por ser sempre a mesma idiota. Que vive no mundo da fantasia.
- "Um dia vou fechar esta porta! Dos sonhos, que me iludem os passos! Só para ver se me desfaço ao sabor da solidão!".
Após esta frase que soletra, sem se aperceber, em voz alta, continua o seu caminho.

Explorar o mundo

O amanhecer deixou entrar um mundo inteiro, cheios de sonhos e lugares perdidos que posso explorar.
Não sei se o luar me fará procurar por ti, mas não vou esperar, vou arriscar.
Partir, enquanto dormes e voltar enquanto não raiar o dia.
Não vou demorar.


Vou somente explorar o mundo, o meu mundo. Despertar para a vida.
Posso usar atalhos, mas voltarei sempre atrás, para percorrer (todo) o caminho completo.
Sem receio de encontrar palavras fracas e sem verdade. Obstáculos, incertezas ou desmaios.
Há sempre no escuro, um brilho.
Tenho até a salutar ideia que foi assim que me cruzei contigo - ao acaso.
Transformei isto num filme e numa história.
Realizável ou não.
Um dia saberei. Vou descortinar tudo em pedaços que posso guardar.
E vou.. vou até conseguir descobrir quem sou, contigo.


Estou cansada. Mas há sempre um sorriso que nos salva daquilo que a vida nos fez. Abrigo que não deixa morrer quem nós somos e o que temos para dar...por isso que sigo o teu brilho.. e exploro tudo que poderei ser. Um dia. Contigo ou sozinha.


Vamos explorar - lado a lado.



15 de fevereiro de 2011

Citação




"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.


É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa
Foto, Bom Jesus, Braga. De B*

Aventura-te

Seduz o meu corpo e acompanha a minha respiração
Navega e desancora a tua alma
nos mares a que te entregas.
Despe as tuas roupas,
como se fosses um vagabundo.
Corre, deixa-te levar pelos desejos,
que são quentes,
que se colam ao corpo e,
te embalam até quereres voltar.
Aventura-te.
A fantasia é quente e apetece.
Devias mergulhar mais vezes neste sopro de magia.
Aventuras. Sente-as. Vive-as.
Aventura-te.
Deixa-te levar pelo vento quente,
que te marca a pele até quereres voltar.
Segue o rasto que deixo ficar,
convite a que venhas comigo.
Aventura-te.
Madrugada e ainda não puseste em prática
todas as ideias rebeldes que há em ti.
Aventura-te.
Entrega tudo em ti, mas devagarinho,
esse pode ser o caminho certo para me encontrar.
Não tenhas medo de naufragar.
Aventura-te.
Fica em mim, abraça os meus sonhos e,
os desejos que não realizei jamais.
Lá fora o vento soa a liberdade e,
há tanta gente perdida que só balança e,
não brinda à vida, nem tão pouco se aventura.
Eu, trago-te comigo. No mais irracional de mim.
Guardo-te nos gestos mais loucos
capazes de te transformar num herói.
Aventura-te.
Procura-me por entre os sonhos teus e,
enlouquece-me com o fundo do teu olhar.
Finges que não estas aí e,
evitas a verdade
que diz que serás tão meu,
como o sol que me corre no olhar.
E é este teu sabor que toda a vida procurei.
Em cada gesto perdido, enlouqueces o que há em mim e,
fazes com que meu coração proclame somente:
- Aventura-te!

Deixa-te levar

Tens esse dom tão especial, que faz sorrir uma vida inanimada. Ao teu lado, fico bem.

Que dom tão natural que atravessa o deserto da minha alma. Que sorriso especial.

Assim, eu fico bem. Tens o segredo de alquimia.
Todas as pessoas possuem o seu Dom, mesmo que muitas das vezes esteja encoberto pela mágoa envolta em defesas existenciais.
Vamos fazer um filme? Temos o cenário perfeito e alguém já fez a nossa canção. Afinal não é nada impossível fazer um filme com final feliz.
É tarde, e a cidade parece já ter adormecido, mas eu quero ficar acordada até o cansaço cair sobre mim,
imagino o teu abraço apertado, mas não te sinto aqui. Estou presa entre quatro paredes.
Quero o teu beijo que mata a sede e ganha à força do mar; Quero o presente e futuro que há-de vir. Quero a palavra certa no rascunho perfeito.
Dom, és o dom que quero conquistar. Mais do que o sol quente que me alegra em dias frios.
Lá fora, a calma do rio corre nas veias do meu corpo, falta-me o ar e sinto um aperto no peito. Preciso da brisa que vêm, como aquelas das tardes de Verão.
És aquele dom,
o dom que imaginei. És aquela canção, a que chegou após tanto tempo para me impressionar.
Só porque sim, sem muitos porquês. Sabes que para variar, para ser diferente, não vamos fazer perguntar nem interpretar.
Sai do teu resguardo, vem daí conhecer a cidade iluminada pela lua, a meu lado, mesmo que em silêncio. Percorremos as ruas com uma música a embalar os nossos passos. Podemos até nem perceber nada daquilo que dizemos, mas talvez seja melhor assim - deixa-te levar.
Segura a minha mão e caminha pela vida; a noite cheira a inocência e o teu corpo a rebeldia.
Sinto-me viva, sinto-me livre.
E agora, não quero continuar a falar. É melhor não dizer nada. Deixa-te levar.