10 de setembro de 2010

Escrevo

Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura.
Esses, sim, são os bons.
Eu só escrevo para fazer afagos.
Para obter os pequenos abrigos, para onde posso sempre fugir.
E,
porque eu tinha de encontrar um jeito de amortizar as quedas,
quando o tempo me esvazia os sonhos.
Diminuir o cansaço de sempre.
Endurecer as crises que incendeiam muralhas e apagam os olhares quentes.
Este é o fogo que conforta os meus sentidos,
o que permite resistir às marcas deixadas na alma.
Sabe bem.
Não manter sempre,
o mesmo quadro que me sorri da parede
Posso estreitar distâncias.
Ou possui-las como uma concha que posso abraçar na minha mão.
Há muitas distâncias em mim
Uns escrevem grandes obras.
Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, no mundo dos sonhos.



17 de agosto de 2010

Perdas e danos


Há dias que me encontro numa neura letárgica,
em que tudo o que me rodeia se limita ao silêncio ensurdecedor e (de) interessante desta alma, escrava dos meus desejos e desta indecisão.
Não existe aquela estimulação, que me faça querer-te tanto e que seja capaz de te dar a imunidade.
Não vou poder dar o pouco que restou de mim, enquanto esta obsessão me afastar de ti.
Tenho a fria sensação que indica que estou ainda presa à primeira vez que me perdi na solidão dos teus segredos,
na qual e, inevitavelmente guardei a dor dessa paixão dentro de mim.
Hibernei de alma e coração.
Sem paciência está o meu coração; sem espaço para as meras circunstâncias que trazem apenas mais um dia de magia, ternura e emoção.
É este somente o tempo que tens para me dar? Aquele que vai e vem?
Vidas estranhas. Sem tempo para chegar às verdadeiras emoções.
Noto ainda em mim, uma expressão cáustica, de espectadora profissional - os homens são todos tão parecidos..; arriscaria dizer que nos hospitais as mães já não "dão à luz", mas existem sem dúvida várias fotocopiadoras alinhadas numa fila comodista e religiosamente elaborada, que originam as reproduções dos homens de hoje. Aqueles que hoje não sabem demonstrar paixão única num coração.
Creio que cada um é uma cópia infiel de um outro. Sem talento natural ou inato.. sem almas distintas.
Os sonhos, esses, não espreitam através do olhar.
Aceita-se o tudo e o nada, apenas porque sim. Porque os caminhos são difíceis de percorrer e nós gostamos é de esperar que as causas perdidas se transformem em milagres realizáveis.
Tantas fugas de nós mesmos.
Tanto faz.
Não consigo entender porque se separam os amores. Aqueles que na vida e nos corações deviam ser eternos.
Separações depois de intensos e espantosos romances de duas almas unificadas,
não encaixam bem na minha visão quase-compreensiva do mundo, das coisas, de mim e dos outros.
A solidão que sinto tem um sabor agri-doce. Bastam-me algumas horas para a saborear e aproveitar na sua essência positiva...
após isso, retorno aos olhos que produzem dor e retratam o amargo que tudo isto me traz.
São tantas as perdas, tantos os danos..
mas tanto faz. Dizemos "até um dia" e tudo se encaixa perfeitamente na gavetinha dos pensamentos passados.
Que forma estranha de lidarmos com o que ainda é parte de nós.
Sei o que sinto, quando os meus olhos te ignoram. Sei de ti, sem saber onde. Não continuo a procurar-te. Parei para repor tantos danos.
Sou muito mais do que aquilo que te invento. Não fica mais nada para contar.
Porque dói saber que amanhã andarás pelas tuas ruas...

6 de agosto de 2010

O mundo corre veloz



Tudo no quotidiano pode ser feito de várias maneiras. O incrível é quando e, apesar das tantas maneiras prováveis.. não somos capazes de interagir e aplicar nenhuma.

Salva-me o talento de saber desenhar com letras e fazer pinturas de sonhos... com as cores da vida que me
restaram.
Faço tantas pinturas que não sei apagar. Cada lugar eu marco na ponta do pincel que exibe as cores marcadas de amor.
A vida tem rumos e caminhos tão bons de guardar. Quero esse lugar mais dentro onde só chega quem sabe ficar.

A minha ânsia nesta busca de ti é sempre numa esperança de sermos um só outra vez.
Agora, ânsia esta, que me faz acreditar que tenho medo de voltar a naufragar. Medo de sair deste cantinho só meu. Medo que a vida se desfaça num gesto atado a um lugar teu e meu.

Tenho sempre presente, os momentos felizes (e os outros). Tantos outros além destas margens comuns dos rios.
Comuns memórias onde espero (sempre)encontrar mais vitórias que derrotas. Agora, quero apenas descansar deste suplicio de emoções que vivi até aqui.
Sabes,
o meu coração reparte-se por entre os
medos e dúvidas.

Pego no papel branco reluzente de luz e na minha caneta preta.
Bem escura como a solidão e é de lá me saem palavras. Palavras devidamente ordenadas para fazerem sentido. Sentido de explicar.. Sentimentos.E por minutos perco-me!
Envolvo-me em pensamentos que me trazem alento.
O mundo corre veloz.. mas eu continuo aqui no meu porto de abrigo... espero as decisões levadas pelo vento.
Não naufrago porque não embarco.
Não hoje.

30 de julho de 2010

A Sorte (a) nula

Somos nós que geramos e criamos os nossos sonhos.
Também depende de cada um, a realização suprema dos mesmos.
Não tenho fé na sorte; acredito mais na coragem e na construção dos limites e das fortalezas em cada um de nós... guio-me pelas conquistas possíveis e impossíveis.
Sorte é uma estrada sem saída, que nos mantêm iludidos e bloqueia novas opções e realidades.
Por vezes preferimos acreditar nesses caminhos, que supostamente nos protegem de tudo aquilo que desconhecemos.
Mas é diferente, acreditar na Vida e acreditar na Sorte.
Puramente sucesso através da sorte! Tantos que adquirem poder desta forma irreal e ilusória.
Mas esse sucesso manter-se-á, até ao dia em que seja fulcral aplicar a sabedoria, a coragem, a inteligência... caracteristicas cruciais, até então não mencionadas neste rol de acontecimentos, chamados Vida!
Não me importo, perder tempo com tentativas erradas. Não faz mal chorar em vez de rir.
Porque sei, que atingi, que consegui... e isso pertence-me!
A sorte a (nula) quem somos e o que conquistamos
.

22 de julho de 2010

Só sei que...



"Estou a descobrir outra vez o amor.
E isso leva tempo."
(Contigo)

Paulo Coelho

19 de julho de 2010

Ligação (in) finita

"Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou

O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!"

Florbela Espanca




Não queria que estas minhas lágrimas continuassem a fazer lembrar o teu sorriso. Mas, que insensatez esta,que ainda te sente do outro lado de mim, aquele que permanece na tola esperança. Que cintila de paz e recordações que me fazem sentir só.

Ainda balança em mim a ternura do teu abraço, o toque das tuas mãos nas noites mal dormidas. Os espaços que partilhamos enquanto escurecia e o brilho do mundo a entrar em nós.

Balança a minha vida sem ti. Não sei ser sem a parte de ti que me completou na luz de voar. Agarras a minha mão e prendes-me, mas sabes que não me estás a salvar... rasgaste tudo o que sentimos com o vento ardente a soprar o coração. Fui descobrindo devagar e aprendendo a procurar por entre os sonhos que permanecem no ínfimo que não entendo.

Mas tantas tantas vezes (como esta) o vento não me sabe a liberdade. Fujo ao vazio, enquanto brindo à vida,

mas sabes? Trago-te comigo e sinto a tua fala, o teu olhar, o teu corpo imperfeito na minha recordação.

Assusta-me descobrir este final e voltar a aceita-lo todo o resto dos meus dias. Ainda és um mundo dentro das minhas mãos fechadas... Falha-me tudo o resto, nada se volta a colar.

Será perigoso dizer que ainda sei de cor cada pedaço teu e, que estás atado a mim, a cada lugar meu. Lugar que agora deveria ser: apenas meu.

Não pensas em mim,

eu penso em ti e protego aquilo que te dou. Não tenho defesas que me ajudem a não falhar... ainda tenho medo de naufragar em falsos alentos e paixão. Tudo o que já foi e até o que eu sonhei... não sei apenas guardar. Quero viver sem recordar... Dar ao tempo um espaço perdido, e que nada se desfaça num gesto maligno ancorado a cada gesto teu.

O mundo não muda os meus sentidos, mas tudo me parece perdido em castelos de fantasia que guardei para proteger o que fui a teu lado. Hoje é apenas isto, que me faz acreditar... que não tenho onde chegar. Porque tenho medo,

medo de naufragar nas ondas ilusórias da paixão. Não a tua, porque essa já evaporou do meu ser. Mas aquela, ou a outra... ou nenhuma. Apenas medo. Sem saber nadar por entre estes medo.

Coração acelera (tens de acelerar a cura em ti).

Eu fingo ter paciência.

Mas o mundo não pára.



13 de julho de 2010

Amor (Tudo é amor)


Tudo é amor.

Até o ódio, o qual julgas ser a antítese do amor,

nada mais é senão o próprio amor

que adoeceu gravemente.


[Francisco Cândido Xavier]

12 de julho de 2010

A estranha (em mim)

Nesta madrugada, que se fantasia de raios quentes como fortes laços serenos de frio, tive um sonho,

sonho este sobre um rapaz (...) que julgava eu, já ter partido de mim.
Tu (meu amor) eras um sonho; agora: um sonho destruído. Por mim? Não! Eu lutei (mas não, não superei).
Por ti? Talvez (dói menos pensar assim?).
Prefiro (na ignorância dos sentimentos que me invadem constantemente a alma pura e sacrificada), que, meu amor, tenha sido a vida a destruir (nos). Ela escolheu por nós. Desafiou. Criou e não recuperou.
Esse sonho de que eras feito e que para mim, tristemente se desfez no ar e nunca mais a vista alcançou.
O tempo esvazia qualquer coração. Até o meu, sempre tão cheio de amor, por ti.


Mas a alma precisa de um sonho para sonhar. Um mundo para abraçar. Um coração que a dor consiga suportar.
E tu não estás ao alcance dela, da minha alma, perdida, incontrolável e até fechada.


Se ao menos tivesses sonhado....
Hoje escrevo sobre a ausência.
Que desperta a estranha que sou.
Não uma qualquer, mas aquela: a ausência de pensamentos, de actos e de partilha. A ausência de sentir e de pensar. Ausência de palavras, de gestos, de gritos, de esperança.
E a perda de tempo em que se torna a vida.
Ausência de alguém, de um sorriso, de um olhar, a ausência de tentar.
A ausência de atitude!
Hoje escrevo sobre a ausência, a ausência de amar.
Ainda estremeço ao ouvir falar de ti. A fonia das letras do teu nome, soam num uníssono tão perfeito. Desesperado, mas perfeito, porque me recordam o quanto foste em mim.
Ainda me comove o jeito como as minhas recordações me inundam o olhar de gotas de orvalho.
A voz, o espírito, ainda estão entranhados em mim.
Entre a linha do absurdo e do real, eu me encontro (ou nem sei se aí estarei).


Pensamentos vagos, ideias esquisitas pairam e re-pairam sobre mim. Mas afinal em que penso eu? Em ti? Não! Naquele? Também não! Na outra? Não me parece. Parece apenas que estou perdida no meio de desilusões, amores vagos e sem sentido. Uma perda de tempo sem sentido, mas que não me consigo livrar.
Preciso de me livrar de mim própria e alcançar-me.



Perguntas no final deste sonho: Precisas de alguma coisa?
Respondo-te com o meu pobre coração a querer soltar-se: Paz.
(Espera, não sei se ainda estava no sonho.. provavelmente, já terá sido real).


6 de julho de 2010

Espelho da alma

Tristeza... a que me quebra, acompanha....
Solidão... a que em mim se espalha e,

me dilacera o coração...
Lágrimas... as que caem pelas minhas mágoas.

Rosto quente em si gelado de
vontades... As que já foram verdades...

Um sonho (sonho?) que vivi, senti, amei, sorri... (passado)
(e tanto mais que não descrevi)

Um pesadelo que não pedi (pesadelo, ermo, quente e terreno.. naquela que fui) ...
Sensações que me proibi de experimentar...
Essas que me dedicavas, quando dizias amar...

Que aqui coabitam na dor e no amor que sucumbi por ti.
Sempre preferi sentir que no fundo de mim,

encontra-se o sinónimo de amor,
que será Dor?
Senti algo. Seria vida, amor... ?
Hoje... prefiro a dormência dos sentidos,
Dormência. Sono. Equivalência.
Perdida na proeminência do que não restou de ti.
Pesadelo (e outro pesadelo) que criaste na ausência dos meus gritos...
gritos que tantas vezes presenteaste...tanto,
quanto ignoraste na audição selectiva com que me amaste!
Nem sei quando cheguei ao meu fim..
Tudo o tempo mudou... acima de tudo,

o tempo já não é. Foi.
Um espelho que não se partiu...
uma história que não se reproduziu,
(mentiu),
mas que aprisionou as almas que alguma vez,
alguém amou.
Preferia o estilhaço, o quebrado, o que não se recupera,
pois, que me tivesses arrancado um pedaço,
para justificar este sentir da dor que se criou...

e ficou e,
ficou!
De um amor que eu vivi,

amor pelo qual eu cresci, dei e formatei ...
Amor, que foi mais que palavras banais em tempos .
Espelho da alma que guardei,
não de ti,
mas por mim e apenas de mim.

4 de julho de 2010

O que há em mim é sobretudo cansaço ...


O que há em mim é sobretudo cansaço

Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...


Álvaro de Campos

3 de julho de 2010

Amor (im) perfeito





Às vezes (e tantas são essas vezes) , procuro-te entre os amores-perfeitos.
Os do meu jardim. Aqueles que rompem madrugadas tristes com a beleza dos raios de sol.
Daqueles que se regam.
Se adubam.
Aqueles que nos prendem os sentidos e posicionam o nosso coração num lugar salutar.
Amores, ai estes amores que nem os ventos frios os conseguem agredir.
Porque o amor…aquele perfeito, mesmo mesmo perfeito, rega-se, aduba-se e não sucumbe a ventos nem tempestades.
Será?
O amor perfeito acrescenta à nossa vida, os gestos melosos e palavras doces.
Adquire pedaços de sol e pepitas da lua.
O nosso, sempre tão imperfeito (demasiado imperfeito).
Sempre fomos as fases da lua.
Um dia cheia, outro dia minguante...
Amor, cheio de novelos de lã, com pontas de bons dias e até amanhãs.
Sorrisos do nada e sorrisos por Tudo. Passeios de mão dada só porque sim.. e passeios pelas estradas da vida, só porque éramos nós: um do outro.
O amor será perfeito na imperfeição de nós dois.
(Ou seria se assim tivesse sido).
E a tua mão, empurra a minha, afasta a semente que germinou o amor. Empurra-me para um precipício fundamentalmente emocional.
Em cada amanhecer nosso, esperei que me salvasses.
E este amor (im)perfeito florescerá na vida, quando me recuperares.
E teremos um amor com vista para o rio da vida.
Os amores-perfeitos, esses, talvez nasçam no próximo Inverno. Talvez.
Porque não há amores perfeitos.

Sabes que tenho todo o tempo do mundo para ti...mas hoje reservo-te só este bocadinho.
Hoje e sempre, só terás um bocadinho.

Agora, tenho de ir... a minha viagem continua, e não posso perder mais tempo.

1 de julho de 2010

Substituir?




"I've been roaming around

Always looking down at all I see

Painted faces, build the places I can't reach

You know that I could use somebody..."

receitas para esquecer um grande amor? Não!

Muito menos a típica (e cruel) substituição...

(Não estamos no futebol )

30 de junho de 2010

Do outro lado das muralhas


Do outro lado do sol, num lugar quente mas abandonado pela balbúrdia das vozes, da azáfama dos dias... vive uma mulher com o coração perdido em ti (por ti).
Desistiu da civilização humana, do alvoroço do quotidiano, da loucura que oscila mundos.. e, trocou muralhas... por uma casa simples, singela e acima de tudo reconfortante, para si e para o seu coração.
Esta foi a estrada que lhe surgiu e terminou neste local. Um achado do nada. Um lugar onde a luz, se pode abraçar.
Aqui vive-se mais perto do sol, da luz, da saudade que não magoa... do amor que não termina.. dos sonhos que permanecem intemporais.
O cheiro, os pedaços de nada, o sentido das coisas... tudo parecia mais feliz.
A guerra dentro do coração mantém-se; mas meu amor, não quero mais gestos feridos, nem o meu mundo inteiro dentro do teu olhar...
Deste lado, é tudo tão mais puro...
*Não quero mais um tempo cheio de pedaços de nada, nem falsas promessas que me levem ao renascer, que depois inevitavelmente geram pesadelos e ... um falso alento!.
És o rasto que me liga ao pouco sol do meu passado... mas deste lado das muralhas, proibiram-me lembranças que despoletam lágrimas.!
Tu que sabes tanto de mim, que sentes quem eu sou... procura por mim, aqui, repleto de sentimentos... e sol que se derrete na procura do vento...
Procura por mim, nem que seja para saberes que estarei aqui sozinha, a tentar desenhar um novo caminho ... sem querer apagar o desenho completo da minha vida.
Hoje utilizei cinzento no céu.. sabes porque? Está coberto de nuvens. Poderá até vir a chover...
queria desenhar um sol.. mas... meu amor, não tenho amarelo!
Como nos falham tantas vezes, as cores da vida?! Hoje.. fica apenas o cinzento da alma, que desenho através do negro do dia.
Ainda não completa, desenho, esta casa que dá um pouco de cor aos sentidos...e ao rumo que tenho a seguir. Senti que este chão, já não tem espaço para tudo o que perdi. Não sei para onde ir...
faltam-me lápis de cor...
Hoje deixei que assim fosse...
Cinzento!
Amanhã será diferente.
O amor não é eterno? Paciência!
Mas as pessoas deviam ser.

27 de junho de 2010

Gritos no Silêncio





"A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca."

Carlos Drummond de Andrade




Este silêncio poderia ferir-me... mas julgo que me obedece e liberta os meus gritos.
Gritos necessários para exacerbar toda esta agonia sentimental em que deixaste a minha alma.
Gritos que enaltecem as quatro paredes que envolvem o meu coração..
...não! Já não são quatro as paredes que me amparam ou protegem. Deixei cair uma delas... para quê?
Para ver horizontes... para libertar gritos e aumentar o silêncio que os recebe.
Para procurar o sol e o luar, e as marés que procuram uma praia.. talvez no fim do mar.
Hoje, vou ficar por aqui... a gritar por entre os sonhos que restam...!
Já fui, já andei... tudo o que eu queria, era um tempo para mim.
Os meus gritos já tiveram som... voz... gestos! Agora, mudei. Resta o silêncio da alma, que me traz paz nos momentos em que caem lágrimas de saudade.


Sei que as minhas palavras são sempre "tristes".. quem lê, percepciona-as assim.
Mas,
permitam-me este aparte,
os sentimentos são tristes na maioria das vezes. Ninguém nunca nos disse que amar era sorrir, que amar era Ter e prometer.
Amar é arrancar madrugadas da pureza dos dias.
Amar é perceber que o riso não nos pertence. Ninguém nos promete nada, nós é que julgamos, possuir mais do que aquilo que existe nos sentidos.
Rasgamos o mais fundo que há em nós e nos outros e emaranhar-nos nisso...
A felicidade é mais que o amor.
E estas palavras que por vezes difundo aqui... são apenas extractos do meu Ser, em determinados momentos.
Escuto a minha alma, quando está mais triste, porque é quando mais precisa de mim.
Os momentos felizes são mais fáceis de viver e mais difíceis de transpor para as palavras.

Enquanto vivo não escrevo.
Quando sinto, transcrevo.

Podemos deixar que as palavras nos devorem, ou podemos rasgar delas as partes que precisamos. Chegamos sempre ao fim, se soubermos que os dias não são nossos. Podemos viver sentimentos ou absorver experiências e palavras profundas de outros .
Agora,
tenho necessidade de te dizer, a ti, coração imaturo: és tudo em mim. Morri por ser preciso, não por o meu amor ter chegado ao fim.
Recordo tudo que há em mim, e o mundo faz sentido assim.

23 de junho de 2010

Silêncio que não fez brotar as palavras certas


"Durante anos mantive-me sempre nas margens, porque sabia que do outro lado alguém esperava que eu seguisse viagem. Eu, segui, devagarinho.
Os gestos realmente abalam."
Começa assim o que na viagem de regresso, escrevo num papel rasgado - as palavras que sentia naquele momento.
Após uma semana, quero transcrever , mas não sou capaz; já não faz sentido, já não tenho vontade de escrever...
E continua:
" A margem já não basta para ser veloz e derrubar tudo do principio ao fim. Um pouco de ti eu sou, pelo menos num lugar: o meu coração - parceiro de mil aventuras e desilusões.
Quando me tocas, o meu corpo permanece frio no tempo, mas ardente no pensamento. Ficas nos meus braços, e suspiras... quem sabe se o momento se repetirá?"
Bem, realmente, é improvável que este momento se repita, ou algum semelhante. Como o tempo, nos traz lucidez dos factos.
E digo :
" Estes momentos, por vezes são fins disfarçados com o querer de não partir.
A hora, essa nunca está marcada, apenas acontece quando menos se espera."
Verdade não é? Como podes valorizar agora o que o tempo levou? A vida não é mais a mesma, as pessoas mudam e escolhem diferentes caminhos.
" Recordo-me de ti, ainda te sinto a meu lado, mas agora como mero espectador de mim e do meu mundo. Fico por aqui, tudo o que poderá vir, não será sequer suficiente para recompor das provas a que sujeitamos o nosso sentimento.
Selamos apenas este segredo: Estarás sempre nas minhas recordações. Aqui, no mais perfeito de mim.
Temi ter perdido os meus sonhos. "
O resto que leio não faz sentido,
porque posso dizer que não perdi sonhos, apenas os posicionei de diferente forma, apenas apliquei diferentes directrizes e prioridades. Os sonhos, os meus sonhos, brotam das desilusões, crescem com os obstáculos.
Mas teimo em continuar o que escrevi:
" Sigo viagem e julgo-me esquecida de tudo o que deixei. Fica apenas o meu rasto... se um dia quiseres seguir o coração.
Sou a palavra amiga, alma gémea... agora sombra esquecida que viste partir, mais que uma vez."
Isto magoa não é? Dizer adeus mais que uma vez?
" Regresso agora, ao meu pequeno e imperfeito mundo,
e a verdade é que provaste a melhor definição que posso dar ao amor: eterno nos corações, mas que vacila na vida.
Não te disse adeus. Desta vez não senti necessidade de o fazer. A vida irá fazê-lo por nós, inevitavelmente. Porque a verdade mostra que nem sempre se luta pelo que se ama.
As lágrimas de hoje, significam mais que a comum tristeza. Escolho um caminho e aceito-o, mas preciso de exteriorizar o descontentamento e dor com o mesmo. Foi a forma mais perfeita de te dizer que o meu coração ainda te ama (embora desta vez, tenha efectivamente vencido a razão).
O coração, esse, só precisa de espaço, tempo e emoções.
Desculpa se me deixei vencer pela razão; se abandonei os meus ideais e a minha coragem para lutar.
O amor e eu sempre andamos de mãos dadas, por atalhos e estradas... à tua procura.
Mas esta procura incessante e esgotante , obstruiu a minha vida e a minha verdadeira felicidade.
Neste momento não tenho direcção, mas não me sinto sequer perdida.
Obrigado Vida, por teres feito de mim, este alvo do amor. Aprendi. O ontem ensinou-me a ser o hoje.
A ti digo: sei o que significas para mim e guardarei tudo no coração.
A alma perdoa e o tempo esclarece..
.. a escuridão incendeia."
Até sempre, L.



"Dont´t you forget about me...

Now you've gone away
Only emptiness remains."


Ainda me lembro vezes demais de ti - todos os dias!
E juro - todos os dias - que tenho de te esquecer!
E apareces - um dia- para me lembrares que não posso esquecer-te, até ao final dos meus dias!

15 de junho de 2010

"Indisponível"

(Imagem Perfeita)

Até ao dia de hoje, sempre julguei possuir um coração perfeito e disponível para amar. Agora, sinto que não é assim tão simples.Já não encontro qualquer sentido nesse destino das emoções.
Lembro-me da nossa história como se ainda fosse eterna; será esse o maior bloqueio do meu coração?
Hoje o dia está tão diferente, tudo parece ter um pouco de ti e daquilo que fui a teu lado. Esta brisa que me lembra os nossos sorrisos.. estes raios de sol, relembram passeios quentes.. este momento em que escrevo, que activa severamente a saudade que guardava no cantinho mais fundo das minhas lembranças passadas.
Temo que me tenhas roubado parte de mim, para sempre.
Quero estar na tua vida, pelo menos, enquanto esta lembrança me magoar.. nem que seja estar num errado pensamento meu. Estás tatuado na minha loucura. Serei portanto (e foi isto que sempre temi), eternamente apaixonada por ti, mesmo que não queira mais do que estes caminhos separados.
Quero sonhar contigo na eternidade e recordar-te sem a alma sofrer;
Queria que o presente me trouxesse uma nova visão, um novo olhar, um novo caminho. Sinto que já fez a parte dele. Mas...
eu, estou completamente indisponível.
O brilho do sol já não faz parte dos meus filmes ou vida real. Só quero viver uma vida, vivida por viver... sem espaço para sonhos.
Só quero escrever, perder-me na loucura das palavras... que não permitem chuvas de incerteza.
A razão, essa diz, que estou bem assim. Eu,
simplesmente subscrevo!!!
E, hoje, somente queria:

14 de junho de 2010

Gestos que abalam


um gesto teu, consegue reproduzir um mundo frio e (re)abrir o abismo que expulsei da minha vida!
Pouco podem mudar os dias,quando os muros não deixam ver onde nasce o mar, onde termina o arco-íris; a luz do mundo vem de dentro de quem se perde alguma vez.. e esvai-se na imensidão.
O teu gesto rasgou a certeza e deixou-me a vaguear por entre as incertezas do coração! Gestos que abalam, são gestos que ainda nos tocam, significam que ainda estou a (sobre)voar no sonho e não abandonei a plenitude daquilo que em tempos fui!

Queria dizer: conta comigo, pois estarei aqui, dorme no meu abrigo e descansa no meu abraço..
...mas, tudo se quebrou, independentemente, dos teus novos e inéditos gestos!
Enquanto a noite cai, eu , deixo que o mundo cintile em mim... sei, que estás longe do meu coração! Sinto-te só e maltratado pelas tuas opções. Mas não posso reagir ou estender-te a mão.
Olha para mim, hoje não há batalhas, não há tristezas.. jamais serei o teu (novo) abrigo.
Anoiteceu no meu coração e deixei que a escuridão e toda esta amnésia propositada, apaga-se tudo que fui contigo. Não serei sempre o teu abrigo, para onde, podes fugir.
A tarde está fria, tomo o café apressada e evito os olhares que descortinam a minha dor. Às vezes somos muralhas em vez de pontes, mas mesmo assim, há quem tente escalar.
O escuro que surge lá fora, torna as estrelas mais brilhantes. O calor ainda existente na minha alma, aquece os meus sentidos. As marcas deixadas, não permitem que aceite de novo o teu abraço, nem que me deixe levar pelo lado surpreendente da saudade; não confundo rumos com emoções.
Seria assim, um céu aberto que (sempre te) espera, se não soubesse recolher a dor.

Vi um menino, no céu da minha cabeça.. veio de tão longe, só para me pedir: por favor não me esqueças!
Vinha tocar o seu som das palavras, mas, não o quis ouvir.Tocou-me apenas a loucura daquele sopro, que não desfez a fronteira entre a lua e o sol.
Por entre as nuvens surges.. e na aproximação.. queres tocar-me...
Loucura, porque não se pode ter o dia que em tempos se apagou na mão; se esmagou com as ilusões de outras vidas.
Menino frágil que és, dizes: deixa-me ter a tua luz.
Eu respondo: Poderias sempre vê-la se a tivesses estimado no teu coração.
(...)
Se nenhum de nós se tivesse sentido nunca sozinho, trocariamos gestos de amor, em vez destas palavras.
Agora, os teus gestos não servem de nada.. não fazem melodias milagrosas.. despede-te de mim, como eu já me obriguei a fazer, em relação a ti.

Está a nascer um novo dia e, não volto à primeira noite, nem à primeira estrela.. só porque tens medo, neste escurecer.
O que mexeu na tua alma para ansiares o (re) encontro? Não és o rei do amor, quanto mais, serás o rei da tua caravela.. perdida, levada pelo vento que se cola ao teu corpo e te embala, até quereres voltar. A aventura traz-te maresia e madrugada. Mas não acalma a dor da minha ausência.
Quando já nada é intacto, por dentro, rebentam os sonhos e tudo se enche de neblina.
Quando há qualquer coisa que sufoca, por dentro, sentes que sem mim, tudo é vulgar. Tu és Vulgar.
Mas nada desfaz as certezas do meu mundo, mesmo que o amor se mantenha neste coração ingénuo e contaminado por tudo que ainda és para mim. A vida fez do meu ser, pedaços de nada, que sou obrigada a (re) construir. Não venhas roubar-me as poucas peças que me restam para completar o meu Grito de coragem.
Não vais balançar os meus dias, nem me vais encontrar cansada e desarmada. Tudo o que a vida faz em mim e e mim, traz-me lucidez.
Gestos teus.. perdidos no tempo e na realidade, e mais tarde, nos meus pensamentos e coração.
Porque, quem perde é quem parte.. nunca quem fica!
Fica a sombra de quem foi embora... (...)

11 de junho de 2010

Cada momento... a seu tempo!


Toda esta minha indiferença não é propositada. As mulheres tem o dom de tornar invisível quem e quando querem. Acho perfeita esta capacidade.
Nada se torna mais inabitável no futuro, do que um lugar e um tempo em que se foi feliz! E é.. isto que preserva o nosso coração, após cada batalha , cada guerra que nos desfaz.
Os momentos de agora, são o reflexo de mim na indiferença da existência dos outros.
Capto tudo, mas não recebo nem aceito nada; diria até que a tudo assisto de plena consciência, mas passiva em mim mesma.
Nem sempre temos de alcançar; também podemos esperar... deixar a vida correr por si mesma!Sermos inertes ao que está a redor.
Que ânsia (quase absurda) de chegar a algum lugar, ou até, de ocupar um coração. Muitas das vezes, quando somos tão descrentes do nosso lugar e do nosso coração!
Ainda me sinto preenchida pelo sorriso de outrora e as lembranças dos nossos momentos ainda me encharcam a alma. Ainda estou emocionalmente ocupada com as nossas fantasias e sonhos, e enquanto a alma me doer pela impossibilidade dessas realizações, não posso (nem devo) fazer emergir novas oportunidades.
Cada momento... a seu tempo!
Porque, as oportunidades são intemporais mas a cura da alma precisa de tempo. Diria até, muito tempo.
Nenhuma alma ferida capta favoravelmente a oportunidade; perde-se sempre mais do que aquilo que se obtêm.
Sei que parti com a intenção de não voltar atrás (e assim me mantenho); mas permito ainda, que o meu pensamento recupere (por instantes) parte do que fomos.
É inevitável não sentir saudades, envolvidas numa ténue tristeza que me afecta o sorriso.
Fomos aquilo que em tempos eu precisei; fase da vida necessária para hoje estar mais perto do desejável. Nem tudo é lamentável na nossa vida cruzada. Fomos o que tínhamos de ser, enquanto seres unidos.
A partir daqui,
cada um necessitou de formalizar a sua autonomia.




"It's a new world, it's a new start"_ Here I Am!

9 de junho de 2010

Arriscar-se, é Viver!



Rir é arriscar-se a parecer louco.
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.
Estender a mão para o outro é arriscar-se a se envolver.
Expôr os seus sentimentos é arriscar-se a expôr o seu eu verdadeiro.
Amar é arriscar-se a não ser amado.
Expôr as suas ideias e sonhos ao público é arriscar-se a perder.
Viver é arriscar-se a morrer...
Ter esperança é arriscar-se a sofrer decepção.
Tentar é arriscar-se a falhar.
Mas... é preciso correr riscos.
Porque o maior azar da vida é não arriscar nada...
Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são.
Podem estar a evitar o sofrimento e a tristeza.
Mas assim não podem aprender, sentir, crescer, mudar, amar, viver...
Acorrentadas às suas atitudes, são escravas;
Abrem mão da sua liberdade.
Só a pessoa que se arrisca é livre...
Arriscar-se é perder o pé por algum tempo.
Não se arriscar é perder a vida...


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Não arriscar nada, é arriscar Tudo.

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"Eu penso 99 vezes e não chego a conclusão alguma, mas, quando paro de pensar, surge a verdade."

(A. Einstein)

Pedacinho de céu?

Pedacinho de céu?
- Só quero o meu!
...
Para que conste:
"Estou na altura da minha vida em que escolho quem é que, daqui para a frente, me acompanha, e quem é que fica para trás".
(Ainda dói, lembrar tanto amor que te dei)

7 de junho de 2010

Devaneios da alma


Preciso de um tempo, para balanço de vida.
Sinto muito mais que aquilo que desejava, e a vida não me agarra, não me deixa aplicar os meus planos nem se importa com o que estou a sentir.
Sei que sou imortal no final desta dor.
Se o meu caminho for este, então encho-o de luz e percorro todos os lugares em que estás ausente!
Peço um tempo para me salvar e para parar de viver o perigo.

A solidão destrói este pequeno lugar que restou no meu coração. Ao certo, não sei quem sou e, desconheço a distância entre a minha voz e o viver.
Que tormenta esta, que me abraça, que (con)vive no meu abrigo.
Enquanto escure-se, os brilhos do mundo percorrem a cidade.. e eu, aqui, quebrada em mil pedaços, num chão que se abre e me aspira com a tristeza.
Estou sempre no labirinto. Uns dias a planar sobre ele; outros no seu interior e,
quando me deixo tocar pelo teu corpo deixo de ser aquilo que o medo fechou.
Poderias ser um chão que me agarra, ou outra margem de mim! Pode ser esta noite quente.. tu e eu a descobrir a vida.
Sinto os teus passos, pressinto os teus gestos, vejo os teus sonhos perdidos.. e hoje, mais do que outra noite, há algo que me fere e me faz querer ter-te aqui. Não importa se fores breve como a loucura, oscilante e que passes as fronteiras. Não importa se tudo se for, numa gota só! Eu sei, que faço tremer o teu mundo.. e não importa que tudo seja breve como o sopro do vento!
Espero-te sempre, ao fim do dia, cansada. O mesmo desfecho.. alguém me sorri. Mas no pensamento, és o meu pequeno abrigo. Que fim de dia tão frio, apressado e olhares perdidos à procura do futuro. O tempo endurece qualquer armadura e ergue muralhas.. que não deixam partir nem deixam chegar!
Sinto-me só, desfeita e com o olhar vazio. Cansada, mas com ternura.
Ao longe vejo a ponte, o céu que muda entre o inicio e o fim. Ao fundo, vejo casas velhas.. e espero no tempo, algum sinal teu!
A ver se a vida agora acerta, naquilo que sempre me prometeu! O horizonte é a viagem que faço sem me mover, onde me possa perder..
.. o peso dos dias torna-se insuportável no meu coração que mais parece uma folha de papel.

A dor essa traduz-se nas lágrimas que percorrem o rosto gelado pelo vento. Não sei como evitar esta fragilidade... que me faz parar no tempo e tudo em mim se precipita. A vida desgarra-me os sentidos e não me oferece um canto para ficar longe desta guerra que me domina!

Entretanto, enquanto a vida me magoa, permito-me estes pequenos devaneios da alma.







6 de junho de 2010

"Um sonho no Lago"



Num reino distante, coberto de prados verdes e casas de madeira... envoltas em lagos cordiais de mistério, vivia uma menina singela e pura no seu imaginário quase perfeito.
As manhãs cobertas de raios de sol, traziam-lhe toda a alegria que ela necessitava para encantar a si mesma e aos outros. Todos os dias eram plenos na emoção, no sentimento, na paz..
Uma certa manhã, o sol não raiou e a menina, não se levantou da sua cama coberta de lençóis de seda. Ela sabia que nesse dia, não iria conseguir sorrir. Então fechou as cortinas que se moviam com o vento, e repousou. Fechou os olhos e sonhou.
Nesse sonho,
"Esta manhã despertou diferente em si, uma música calma invade o seu coração, leva-a ao porão de sua casa, onde encontra encostado ao sofá de verga ali existente, um rapaz.
Olhou-a e diz: " És tu! Estava à tua espera!",
ela sorri, e responde num ímpeto imperfeito da sua dor nesse dia " Não sou ninguém para o teu mundo, apenas sou eu mesma, no meu mundo. E é nele que quero ficar.".
Ele, deixa cair uma lágrima e insiste: "Devia ter chegado mais cedo, para te proteger.Eu sei.Mas a vida atrasou-me. Não podes culpar-me a mim por esse ridículo acontecimento."
Ela já não sorri, apenas diz num tom seco e frio: "Não importa os obstáculos que ultrapassaste para aqui chegar. Porque, chegaste tarde. O meu coração morreu esta manhã!"

Ele. pega na rosa vermelha que trazia no bolso detrás.. coloca-a na mão dela e parte.
Ela, deixa cair uma lágrima, que atinge a pétala mais bonita da rosa. Nesse momento a rosa cai no chão.
Ela volta para dentro de casa, e sabe, que o seu mundo será para sempre solitário."

Depois deste sonho, a menina acordava todas as manhãs e sorria, mesmo que os raios de sol, teimassem em não aparecer.
Ela sabia a escolha que tinha feito. E que nada entraria no seu mundo. Que o seu sorriso, não podia depender dos raios de sol. Mas apenas de si mesma e da sua coragem de vida!






Eu também tenho medo,
do hoje, do amanhã..
mas teimo sempre em ter este sorriso estampado no rosto que reflecte a (im)perfeita vida que tenho.
Nem sempre encontro sentido nos meus sentimentos e neste momento, menos razão lhe encontro! Mas sou tão ingénua que acredito que tudo ficará bem, e que um dia acordo, e não penso mais neste assunto.

"Dizem que uma pessoa está sempre a aprender, mas na merda do amor é exactamente ao contrário. Cada vez percebo menos disto e acho que faço cada vez mais disparates."
Margarida Rebelo Pinto

Subscrevo completamente!

4 de junho de 2010

Opostos

Cada vez que penso em ti
Faço pinturas de guerra
e, pinto o sol com tons laranja
pinto a lua na tua mão e,
o sol bem lá naquele chão.
Aqui, não há lugar para o coração.
Olhares perdidos e sorrisos desfeitos,
Contas-me histórias, reais ou não
Ouço-te atenta.. Não pelas palavras
mas,
por sentir o brilho que escondes.
Desconheço cada lugar teu,
Nada sei acerca do teu rumo.
Guardo apenas o momento;
quando o nada não é nada,
espera-se tudo!
O medo de naufragar é intenso, mas disfarçado.
O tempo espera.
O tempo alcança os opostos.
A vida muda os nossos sentidos
e traz para perto o que mais longe existe
Tudo se desfaz num gesto,
no nada que afinal é Tudo!
Opostos estes, que não se atraem nem cativam,
mas curiosamente se podem completar.
Na loucura finge-se que tudo é normal
o que irrita, é veloz nas emoções.
Opostos de vida. Opostos das palavras.
Mesmo quando a alma pede um pouco mais de calma,
chega o coração que diz: não paro!
Estamos fora de mão..
opostos. Mas estamos aqui.