23 de junho de 2010

Silêncio que não fez brotar as palavras certas


"Durante anos mantive-me sempre nas margens, porque sabia que do outro lado alguém esperava que eu seguisse viagem. Eu, segui, devagarinho.
Os gestos realmente abalam."
Começa assim o que na viagem de regresso, escrevo num papel rasgado - as palavras que sentia naquele momento.
Após uma semana, quero transcrever , mas não sou capaz; já não faz sentido, já não tenho vontade de escrever...
E continua:
" A margem já não basta para ser veloz e derrubar tudo do principio ao fim. Um pouco de ti eu sou, pelo menos num lugar: o meu coração - parceiro de mil aventuras e desilusões.
Quando me tocas, o meu corpo permanece frio no tempo, mas ardente no pensamento. Ficas nos meus braços, e suspiras... quem sabe se o momento se repetirá?"
Bem, realmente, é improvável que este momento se repita, ou algum semelhante. Como o tempo, nos traz lucidez dos factos.
E digo :
" Estes momentos, por vezes são fins disfarçados com o querer de não partir.
A hora, essa nunca está marcada, apenas acontece quando menos se espera."
Verdade não é? Como podes valorizar agora o que o tempo levou? A vida não é mais a mesma, as pessoas mudam e escolhem diferentes caminhos.
" Recordo-me de ti, ainda te sinto a meu lado, mas agora como mero espectador de mim e do meu mundo. Fico por aqui, tudo o que poderá vir, não será sequer suficiente para recompor das provas a que sujeitamos o nosso sentimento.
Selamos apenas este segredo: Estarás sempre nas minhas recordações. Aqui, no mais perfeito de mim.
Temi ter perdido os meus sonhos. "
O resto que leio não faz sentido,
porque posso dizer que não perdi sonhos, apenas os posicionei de diferente forma, apenas apliquei diferentes directrizes e prioridades. Os sonhos, os meus sonhos, brotam das desilusões, crescem com os obstáculos.
Mas teimo em continuar o que escrevi:
" Sigo viagem e julgo-me esquecida de tudo o que deixei. Fica apenas o meu rasto... se um dia quiseres seguir o coração.
Sou a palavra amiga, alma gémea... agora sombra esquecida que viste partir, mais que uma vez."
Isto magoa não é? Dizer adeus mais que uma vez?
" Regresso agora, ao meu pequeno e imperfeito mundo,
e a verdade é que provaste a melhor definição que posso dar ao amor: eterno nos corações, mas que vacila na vida.
Não te disse adeus. Desta vez não senti necessidade de o fazer. A vida irá fazê-lo por nós, inevitavelmente. Porque a verdade mostra que nem sempre se luta pelo que se ama.
As lágrimas de hoje, significam mais que a comum tristeza. Escolho um caminho e aceito-o, mas preciso de exteriorizar o descontentamento e dor com o mesmo. Foi a forma mais perfeita de te dizer que o meu coração ainda te ama (embora desta vez, tenha efectivamente vencido a razão).
O coração, esse, só precisa de espaço, tempo e emoções.
Desculpa se me deixei vencer pela razão; se abandonei os meus ideais e a minha coragem para lutar.
O amor e eu sempre andamos de mãos dadas, por atalhos e estradas... à tua procura.
Mas esta procura incessante e esgotante , obstruiu a minha vida e a minha verdadeira felicidade.
Neste momento não tenho direcção, mas não me sinto sequer perdida.
Obrigado Vida, por teres feito de mim, este alvo do amor. Aprendi. O ontem ensinou-me a ser o hoje.
A ti digo: sei o que significas para mim e guardarei tudo no coração.
A alma perdoa e o tempo esclarece..
.. a escuridão incendeia."
Até sempre, L.



"Dont´t you forget about me...

Now you've gone away
Only emptiness remains."


Ainda me lembro vezes demais de ti - todos os dias!
E juro - todos os dias - que tenho de te esquecer!
E apareces - um dia- para me lembrares que não posso esquecer-te, até ao final dos meus dias!

1 comentário:

Sérgio Luis disse...

Um texto sentido, que retrata a veracidade dos factos e os sentimentos controversos que por força das circunstâncias nos inundam o coração e nos devastam a alma, não careçe de qualquer tipo de comentários. Admiro-te pela tua coragem.