
10 de fevereiro de 2011
Em tempos...

O meu olhar
O meu olhar azul como o céu
Às vezes é preciso
Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a dizer.
E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração bater desordenadamente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.
Às vezes é preciso partir antes do tempo, dizer aquilo que se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um Deus qualquer que nos dê força e serenidade.
Pensar que o tempo está a nosso favor, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim.
Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar.

Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.
Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir.
E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar.
Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira.
Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar.
Até se conformar e um dia então esquecer.
Termina aqui esta viagem

Cada vez que quis sonhar mais uma vez, me apercebi que estava a embarcar numa nova viagem que me faria morrer mais um pouco.
A solidão pode doer no peito, matar os nossos sonhos do momento, mas a esperança de um dia melhorar, devia fortalecer-nos no sentido de jamais arriscar em tantas viagens com o mesmo companheiro.
Quem ama, vive apenas uma viagem. Não precisa de chegadas e partidas diariamente flutuantes, cheias de mitos e esperanças baseadas em palavras soltas que logo aquecem o coração.
Todos os dias alguém no mundo inicia ou termina uma viagem.
Todos os dias se fazem planos para novas viagens.
Todos nós somos turistas deste mundo que acreditam nas viagens do amor. Da saudade.
Mas o que mais me inquieta e exalta, diria mesmo, são as crenças no recomeçar.
Inútil.
Como a saudade dos tempos que jamais teremos.
Não tenho medo de assumir a minha dor e desilusão.
Assumo que me sinto culpada pelas oportunidades que dei; pelos bilhetes que te deixei tirar para todas estas viagens.
Hoje (e tantos outros dias anteriores), senti arrependimento por tudo aquilo que eu viajei para te encontrar. Mesmo ao meu lado, nunca te senti, como tal.
O que quero de ti, é uma viagem sem regresso. Tua. Desta vez, eu não irei. Quero ficar aqui. Mesmo que a solidão me torture e que o coração queira matar-me por dentro.
Uma coisa é certa, de todas as viagens se trás algo.
Coloco-me na excepção disso. Nada trouxe destas viagens.
A não ser a infinitude deste sentimento que me destrói à anos!
Em todas as viagens se aprende uma coisa nova. Aprendi, que não sei se o sacrifico traz resolução dos problemas. Aprendi, que palavras de promessa, são meras letras lançadas ao acaso. Aprendi que não te quero.
Não sou feliz.
Não encontrei o que queria.
Ficam os momentos, as peripécias, as gargalhadas, os choros, as recordações. Fica a saudade ou a certeza de não querer voltar a determinado local.
Viajar é assim mesmo.
É ir ao desconhecido, sabendo que podemos amar ou odiar. É um risco que por vezes é pensado e por vezes não. Podemos viajar sozinhos e voltar acompanhados.
Podemos viajar acompanhados e voltar sozinhos! Como eu quero voltar apenas com o meu próprio silêncio.
Podemos viajar sem sair do lugar, e é isto, que eu quero hoje, amanhã e depois... ... viajar ao sabor do vento e, a cada manhã decidir o destino a tomar no dia seguinte.
A escolha é minha.
A viagem da vida, dá sentido a tudo, assim como pode não dar sentido a nada. As nossas viagens já não têm sentido.
É assim mesmo, a viagem é algo que nos embala, numa voz calma, que mesmo quando não dá sentido a nada, nos faz entender quando desembarcar.
E entre várias viagens há uma que termina.
Boa Viagem ***
28 de janeiro de 2011
23 de janeiro de 2011
O lado incerto da vida

11 de janeiro de 2011
Caminho do afecto

28 de dezembro de 2010
Um Dia aprendes!

E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começas aprender que beijos não são contractos e presentes não são promessas.
E começas aceitar as tuas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com a graça de uma criança e não a tristeza de um adulto.
E aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje, porque o terreno de amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair ao meio em vão.
Depois de um tempo aprendes que o sol queima se ficares exposto por muito tempo.
E aprendes que não importa o quanto te importes, algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceitas que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai magoar-te de vez em quando e tu tens de perdoá-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar as dores emocionais.
Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la e que tu podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás para o resto da vida.
Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo em longas distâncias.
E que o que importa não é o que tens na vida, mas o que és na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprendes que não temos de mudar os amigos se compreendermos que os amigos mudam, percebes que o teu amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida são tomadas de ti muito depressa, por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vemos.
Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós próprios.
Começas aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que tu mesmo podes ser. Descobres que levas muito tempo a tornares-te na pessoa que queres e que o tempo é curto.
Aprendes que não importa onde chegaste, mas onde vais.
Aprendes que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprendes que heróis são aqueles que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.
Aprendes que paciência requer muita prática.
que algumas vezes a pessoa que esperas que te calque quando cais é uma das poucas que te ajuda a levantar. Aprendes que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que aprendeste com elas do que quantos aniversários celebraste.
Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que suponhas.
Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são tolices, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de seres cruel.Descobres que só porque alguém não te ama da maneira que queres que te ame, não significa que esse alguém não te ame, pois existem pessoas que nos amam, mas não sabem como o demonstrar.
Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que, com a mesma severidade com que julgas, serás em algum momento condenado.
Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que o concertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, em vez de esperar que alguém te traga flores.
E aprendes que realmente podes suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensares que não podes mais.
E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida!
As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar."
William Shakespeare
12 de dezembro de 2010
Perspectivas

a nova oportunidade,
o recomeço.
Se o agir tivesse de ser no momento, agora.. nunca depois,
...então seriamos mais, melhor.
Teríamos mais coragem para enfrentar as situações. Ou então não teríamos opção.
Por norma, esperamos sempre que, amanhã, tudo se resolva.
Que amanhã tenhamos mais sorte.
Que amanhã apareça a tal pessoa.
Que amanhã os nossos sonhos pareçam mais fáceis de realizar.
Podemos pegar no tempo e brincar com ele. Andar para a frente, enquanto olhamos para trás.
Porque sabemos que amanha, podemos repetir tudo de novo. Fazer melhor, fazer diferente.. ou até fazer o mesmo.
Hoje vamos só experimentar. Amanha fazemos isto a sério.
Curioso, como tudo isto, pode ser tão real e como tantos de nós se pode reflectir nestas palavras.
Amanhã estaremos todos cá, e teremos tempo de sobra para fazer o que Hoje, não deu, ou simplesmente não nos apeteceu!
Mas quantas vezes, não foi verdade que depois (que o amanhã) já era tarde demais?
Pensamos: "Devia ter feito isto antes.. agora é tão tarde."
"Já não vou a tempo"...
(...)
Mas,
...certo, é que pouco depois, voltamos ao : "Amanhã resolvo isso"
Como uma perspectiva simples, pode dar-os uma abrangência tão grande acerca da Vida. E até de nós mesmo como pessoas.
Não temos a vida nas mãos e na verdade, Ela, não nos pertence.
Admirada? Não. Nem um pouco.
Mas continuo a achar que amanhã,
amanhã tudo será melhor.
Timming dos Sonhos

O dia em que mais uma vez sinto que sou vencida pela exigência de (e/ou dos) outros e pelo timming quase-perfeito que agarra as nossas decisões e sonhos.
Descobri por entre estes dias nublados em que fingi ser apenas eu,
que os sonhos,
aqueles,
os meus,
os sonhos que existem em nós e por nós..
têm timming para se realizar.
Impingindo por quem nos rodeia, que se julga mais sabedor daquilo que é nosso por direito.
Se o meu caminho for por onde vou.. porque teimam em coordenar o que eu sei fazer.
Poderia desejar que a minha vida voasse para além deste destino que praticamente me colam à pele.
Porque vivemos para realizar sonhos de outrem? Cada um não é Humano suficiente para realizar os seus próprios sonhos?
Impõem e deslocam para nós, frustrações anteriormente vividas por eles mesmos ou por seus conhecidos.
Esquecem-se do fundamental... o timming pertence ao dono dos sonhos.
Sinto-me a percorrer uma estrada que não é minha,
um sonho que não me pertence ...
não neste dia, não nestes meses... não agora!
Porque eu,
quero sentir o sonho. deseja-lo e vive-lo.
Não apenas fazer com que se realize. Com um esforço tão grande que me faz cair na cama ao fim do dia e chorar. Porque não estou realizada. O meu sonho (ou o nosso sonho) está a ser realizado ... não eu.
Na tentativa de fazer valer os meus direitos de autora, expressei que poderia quem sabe... adiar esperar. Não me é permitido, por entre ameaças psicológicas infligidas no meu coração consigo perceber que tenho de continuar.
Custe o que custar. Este já não é o meu sonho.
Porventura já nem será a minha Vida.

Prefiro o abandono que esta prisão de obrigações que caem da algibeira de quem me fez cair na realidade da Vida.
Banhar-nos de vida não dá o direito de escolher o nosso destino.
Quero ser apenas eu, menina da Vida e dos meus sonhos.
Quero ser o timming que só eu sei explicar.
Tudo o resto,
quero longe.
Um dia eu volto a quere-los perto. Por agora quero o abandono de qualquer mão que me lance tempo indevido e demasiado exigente para aquilo que proponho para mim.
Quero eu mesma embalar a minha noite e perder-me nos olhares por ai escondidos na ventania.
Gemer por estar presa à saudade daquilo que ainda não fui capaz de realizar,
por me sentir esquecida nas sombras, sem forças, sem cor e sem vontade.
Mas um dia.. sei mais de mim...
sei que vou transpirar de sonhos que quero mesmo viver e realizar.
Não quero esta dor na alma. Intensa e aguda.
Não,
não quero semear sonhos que depois não vou ter prazer em colher.
Quero aqueles que um dia me aumentem o coração, o sorriso, o futuro.
Mesmo que até lá tenha de ser um restolho... prestes a ser semeado.
Nunca permitam que maltratem os vossos sonhos e o caminho que se sentem capazes de realizar.
É preciso morrer para nascer de novo. Não quero que me acordem. Quero eu mesmo penar para aprender a viver.
Viver por mim, optar por mim, exigir por mim.. não me fará receber aquilo que me aumenta o coração.
Há tantos campos verdes em que podem semear os vossos próprios sonhos.. Não invadam os meus!!!
A nostalgia, o remorso, o entusiasmo, a motivação, a mágoa, as ideias, os sentimentos (...) são meus. Permitam-me ser eu mesma. Ter-me a mim mesma. Ser a decisão do que me pertence.
Não sou forte, nem sou pedra, nem sou sucesso.
Sou antes uma ideia, que se despe do passado.
Se conseguir procuro o meu caminho, e deixo que nesta viagem caia.
Em cada pedra que me faça tropeçar, porque é isso que um dia trará aquilo que sou.
O relógio,
esse quero-o gasto e partido pelo tempo. Vou abolir todos os relógios da minha presente vida.
Assim como todos e qualquer Ser que me queira impor os sonhos que ainda não quero realizar.
Ficarei assim: só e abandonada. E hoje consigo entender, como isso pode ser Bom!!!
20 de novembro de 2010
Reverência ao destino

Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e reflectir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.E é assim que perdemos pessoas especiais.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.Difícil é mentir para o nosso coração.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.Difícil é sentir a energia que é transmitida.Aquela que toma conta do corpo como uma corrente eléctrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ouvir a música que toca.Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é segui-las.Ter a noção exacta de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefónica.Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.
Difícil é lutar por um sonho.
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fracção de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata."
Texto de:
Carlos Drummond de Andrade
9 de outubro de 2010
Sonhadora

nada mais do que uma idealista, ou até uma lunática que levantou o seu próprio universo de fantasias, ficção e sonhos!
5 de outubro de 2010
Só se pode dar... quem arrisca Sentir!

As armaduras essas, custam a arrancar! Muralhas que sufocam o peito.. não permitem sair nem chegar.
Resta-me este olhar perdido à procura do futuro no avesso do passado!
Resta-me o reflexo da lua que mantêm o sorriso de que me orgulho sentir a teu lado,
até ao tempo em que o momento me esvazia...
Obrigado pela guarida junto a tanta tempestade, e pelo lado quente da tua saudade.
Não podemos simplesmente resguardar-nos (da dor) e jogar fora a chave dos nossos desejos.
És, essencialmente, tudo aquilo que me dás...
Abraça-me bem, mesmo que num leve pensamento das nossas vidas breves.
Sabes o quanto me permitiste ser uma estrela cintilante?
Afastas-te aquele peso que me esmaga o coração, abriste uma nova janela, de onde ouço "Quem és?";
- estendo a minha mão até sentir que não sei nada do que sou, do que somos nós e do que mudou.
Abraça-me no infinito da tua vontade imaculada com a luz da lua.
Procura cá dentro onde me escondi; tenho medo, confesso, medo de dar tudo aquilo que um dia consegui salvar.
Só se pode dar quem arriscar sentir.. tantas vezes as tuas palavras me embeberam deste sentido de vida.
Palavras não quebram desilusões de dor.. pelo menos, aqui na minha realidade.
A vida é feita de sentir, mas deste lado, é tudo tão maior. Tão mais intenso - o bom e o mau - cansei a alma das (sempre) palavras rasgadas pelo vento.
Sinto sempre mais do que aquilo que consigo dizer.. e a vida nada traz em troca, para refazer a cinza que sobrou.
Sei que podemos ser muito mais.. se nos olhamos tão profundamente na vida que é.. por onde ambos encontramos lugares agora menos ausentes.
Há coisas que sinto tal e qual uma tatuagem,
e cada gesto de a reconstruir parece-me perdido. Que guerra que lança gritos da alma.
Sonho, pinto cores misturadas com vento e lama.. e olhares perdidos no chão.
Fica o não voltes, porque um dia.. não soubeste lutar para ficar.
Palavras não tão sóbrias quanto necessário, mas as noites sem rumo precisam de abrigos para o sentir!
Ficas aqui no meu riacho iluminado pelas estrelas. Mesmo que optes por mudar de margem. Estarás sempre no alcance do olhar do meu coração.
24 de setembro de 2010
Vidas Paralelas

20 de setembro de 2010
Dia do Coração

O meu coração nunca questionou o amor, mas a minha razão está sempre a fazê-lo.
Pergunto-me várias vezes - racionalmente - numa tentativa de duvidar por mim mesma do que me rodeia,
se existe o amor verdadeiro de que tantos falam.
Existem dias que julgo que não,
outros em que gostaria de dizer que sim,
e depois há dias, como o de hoje, em que o coração se enche de fantasia e acredita no amor além da razão.
Sinto-te aqui próximo de mim e é neste momento que sei que unificas e completas o meu pensamento e a minha vida; as almas gémeas não são mais que o completar do que falta em nós.
Tal como a margem quando adoecemos gravemente a meio do rio.
Nunca deixes de me amar nem de lutar por esta dádiva que caiu do céu, tal e qual uma estrela cadente.
A propósito, sabias que o teu coração é a minha casa?
Há dias em que não me apetece regressar a casa, porque estou chateada. Outros, tenho a certeza que é o meu único local de conforto; mas sabes? Em ambas as vezes, sei que tens a porta aberta para mim.
Gostava que todos nós arriscássemos mais por amor, que lançássemos mais setas do cupido e que contemplássemos a verdadeira essência de ser: o amor.
Não passa de um sonho que podemos realmente viver. Sim, Ele existe. Porque cada pedaço de nós mesmos é uma prova de amor.
Cada dia que passa procuro controlar esta parte derrotista que existe na minha razão;
..... porque nos falham tantas vezes os sonhos pelo qual um dia prometemos lutar?
Caímos demasiadas vezes; muitas mais do que aquelas em que nos levantamos . E estamos sempre a permitir quedas em vez de nos agarrarmos a algo que nos faça sonhar e sorrir levemente.
Não sou uma mulher apaixonada, pelo menos, não tanto como gostaria, porque estou a descobrir o amor a cada dia da minha vida,
não posso dizer que o conheço ou que o vivo na sua plenitude.
Contudo e na minha singela opinião, é assim que vale a pena vive-lo: dia após dia, sem o conhecer.
Quero dizer-te que sinto um sorriso no meu olhar,
poderias pensar que surge pelos bons momentos em que envolvemos os nossos corações,
também,
mas sobretudo pelos momentos imperfeitos que nos controem e completam, tal e o qual um puzzle.
São estes últimos, que nos transformam a cada dia em melhores amantes.
Já chorei quando queria sorrir.
Mas talvez hoje sorria, porque um dia chorei! Chorar parece algo que contraria a vida? Não. É algo que nos enuncia como verdadeiras essências.
Acreditem no amor e façam com que todos os dias seja: o dia do coração.

10 de setembro de 2010
Escrevo

17 de agosto de 2010
Perdas e danos

6 de agosto de 2010
O mundo corre veloz

Salva-me o talento de saber desenhar com letras e fazer pinturas de sonhos... com as cores da vida que me
restaram.
Faço tantas pinturas que não sei apagar. Cada lugar eu marco na ponta do pincel que exibe as cores marcadas de amor.
A vida tem rumos e caminhos tão bons de guardar. Quero esse lugar mais dentro onde só chega quem sabe ficar.
A minha ânsia nesta busca de ti é sempre numa esperança de sermos um só outra vez.
Agora, ânsia esta, que me faz acreditar que tenho medo de voltar a naufragar. Medo de sair deste cantinho só meu. Medo que a vida se desfaça num gesto atado a um lugar teu e meu.
Tenho sempre presente, os momentos felizes (e os outros). Tantos outros além destas margens comuns dos rios.
Comuns memórias onde espero (sempre)encontrar mais vitórias que derrotas. Agora, quero apenas descansar deste suplicio de emoções que vivi até aqui.
Sabes,
o meu coração reparte-se por entre os
medos e dúvidas.
Pego no papel branco reluzente de luz e na minha caneta preta.
Bem escura como a solidão e é de lá me saem palavras. Palavras devidamente ordenadas para fazerem sentido. Sentido de explicar.. Sentimentos.E por minutos perco-me!
Envolvo-me em pensamentos que me trazem alento.
O mundo corre veloz.. mas eu continuo aqui no meu porto de abrigo... espero as decisões levadas pelo vento.
Não naufrago porque não embarco.
30 de julho de 2010
A Sorte (a) nula

Também depende de cada um, a realização suprema dos mesmos.
Não tenho fé na sorte; acredito mais na coragem e na construção dos limites e das fortalezas em cada um de nós... guio-me pelas conquistas possíveis e impossíveis.
Sorte é uma estrada sem saída, que nos mantêm iludidos e bloqueia novas opções e realidades.
Por vezes preferimos acreditar nesses caminhos, que supostamente nos protegem de tudo aquilo que desconhecemos.
Mas é diferente, acreditar na Vida e acreditar na Sorte.
Mas esse sucesso manter-se-á, até ao dia em que seja fulcral aplicar a sabedoria, a coragem, a inteligência... caracteristicas cruciais, até então não mencionadas neste rol de acontecimentos, chamados Vida!
Não me importo, perder tempo com tentativas erradas. Não faz mal chorar em vez de rir.
Porque sei, que atingi, que consegui... e isso pertence-me!
A sorte a (nula) quem somos e o que conquistamos.
22 de julho de 2010
19 de julho de 2010
Ligação (in) finita
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!"
Florbela Espanca

Não queria que estas minhas lágrimas continuassem a fazer lembrar o teu sorriso. Mas, que insensatez esta,que ainda te sente do outro lado de mim, aquele que permanece na tola esperança. Que cintila de paz e recordações que me fazem sentir só.
Ainda balança em mim a ternura do teu abraço, o toque das tuas mãos nas noites mal dormidas. Os espaços que partilhamos enquanto escurecia e o brilho do mundo a entrar em nós.
Balança a minha vida sem ti. Não sei ser sem a parte de ti que me completou na luz de voar. Agarras a minha mão e prendes-me, mas sabes que não me estás a salvar... rasgaste tudo o que sentimos com o vento ardente a soprar o coração. Fui descobrindo devagar e aprendendo a procurar por entre os sonhos que permanecem no ínfimo que não entendo.
Mas tantas tantas vezes (como esta) o vento não me sabe a liberdade. Fujo ao vazio, enquanto brindo à vida,
mas sabes? Trago-te comigo e sinto a tua fala, o teu olhar, o teu corpo imperfeito na minha recordação.
Assusta-me descobrir este final e voltar a aceita-lo todo o resto dos meus dias. Ainda és um mundo dentro das minhas mãos fechadas... Falha-me tudo o resto, nada se volta a colar.
Será perigoso dizer que ainda sei de cor cada pedaço teu e, que estás atado a mim, a cada lugar meu. Lugar que agora deveria ser: apenas meu.
Não pensas em mim,
eu penso em ti e protego aquilo que te dou. Não tenho defesas que me ajudem a não falhar... ainda tenho medo de naufragar em falsos alentos e paixão. Tudo o que já foi e até o que eu sonhei... não sei apenas guardar. Quero viver sem recordar... Dar ao tempo um espaço perdido, e que nada se desfaça num gesto maligno ancorado a cada gesto teu.
O mundo não muda os meus sentidos, mas tudo me parece perdido em castelos de fantasia que guardei para proteger o que fui a teu lado. Hoje é apenas isto, que me faz acreditar... que não tenho onde chegar. Porque tenho medo,
medo de naufragar nas ondas ilusórias da paixão. Não a tua, porque essa já evaporou do meu ser. Mas aquela, ou a outra... ou nenhuma. Apenas medo. Sem saber nadar por entre estes medo.
Coração acelera (tens de acelerar a cura em ti).
Eu fingo ter paciência.
Mas o mundo não pára.
13 de julho de 2010
Amor (Tudo é amor)
12 de julho de 2010
A estranha (em mim)

sonho este sobre um rapaz (...) que julgava eu, já ter partido de mim.
Tu (meu amor) eras um sonho; agora: um sonho destruído. Por mim? Não! Eu lutei (mas não, não superei).
Por ti? Talvez (dói menos pensar assim?).
Prefiro (na ignorância dos sentimentos que me invadem constantemente a alma pura e sacrificada), que, meu amor, tenha sido a vida a destruir (nos). Ela escolheu por nós. Desafiou. Criou e não recuperou.
Esse sonho de que eras feito e que para mim, tristemente se desfez no ar e nunca mais a vista alcançou.
O tempo esvazia qualquer coração. Até o meu, sempre tão cheio de amor, por ti.
Mas a alma precisa de um sonho para sonhar. Um mundo para abraçar. Um coração que a dor consiga suportar.
E tu não estás ao alcance dela, da minha alma, perdida, incontrolável e até fechada.
Se ao menos tivesses sonhado....
Hoje escrevo sobre a ausência.
Que desperta a estranha que sou.
Não uma qualquer, mas aquela: a ausência de pensamentos, de actos e de partilha. A ausência de sentir e de pensar. Ausência de palavras, de gestos, de gritos, de esperança.
E a perda de tempo em que se torna a vida.
Ausência de alguém, de um sorriso, de um olhar, a ausência de tentar.
A ausência de atitude!
Hoje escrevo sobre a ausência, a ausência de amar.
Ainda estremeço ao ouvir falar de ti. A fonia das letras do teu nome, soam num uníssono tão perfeito. Desesperado, mas perfeito, porque me recordam o quanto foste em mim.
Ainda me comove o jeito como as minhas recordações me inundam o olhar de gotas de orvalho.
A voz, o espírito, ainda estão entranhados em mim.
Entre a linha do absurdo e do real, eu me encontro (ou nem sei se aí estarei).
Pensamentos vagos, ideias esquisitas pairam e re-pairam sobre mim. Mas afinal em que penso eu? Em ti? Não! Naquele? Também não! Na outra? Não me parece. Parece apenas que estou perdida no meio de desilusões, amores vagos e sem sentido. Uma perda de tempo sem sentido, mas que não me consigo livrar.
Preciso de me livrar de mim própria e alcançar-me.
6 de julho de 2010
Espelho da alma
Solidão... a que em mim se espalha e,
me dilacera o coração...
Lágrimas... as que caem pelas minhas mágoas.
Rosto quente em si gelado de
vontades... As que já foram verdades...
Um sonho (sonho?) que vivi, senti, amei, sorri... (passado)
(e tanto mais que não descrevi)
Um pesadelo que não pedi (pesadelo, ermo, quente e terreno.. naquela que fui) ...
Sensações que me proibi de experimentar...
Essas que me dedicavas, quando dizias amar...
Que aqui coabitam na dor e no amor que sucumbi por ti.
Sempre preferi sentir que no fundo de mim,
encontra-se o sinónimo de amor,
que será Dor?
Senti algo. Seria vida, amor... ?
Hoje... prefiro a dormência dos sentidos,
Dormência. Sono. Equivalência.
Perdida na proeminência do que não restou de ti.
Pesadelo (e outro pesadelo) que criaste na ausência dos meus gritos...
gritos que tantas vezes presenteaste...tanto,
quanto ignoraste na audição selectiva com que me amaste!
Nem sei quando cheguei ao meu fim..
Tudo o tempo mudou... acima de tudo,
o tempo já não é. Foi.
Um espelho que não se partiu...
uma história que não se reproduziu,
(mentiu),
mas que aprisionou as almas que alguma vez,
alguém amou.
Preferia o estilhaço, o quebrado, o que não se recupera,
pois, que me tivesses arrancado um pedaço,
para justificar este sentir da dor que se criou...
e ficou e,
ficou!
De um amor que eu vivi,
amor pelo qual eu cresci, dei e formatei ...
Amor, que foi mais que palavras banais em tempos .
Espelho da alma que guardei,
não de ti,
mas por mim e apenas de mim.

4 de julho de 2010
O que há em mim é sobretudo cansaço ...

Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos