10 de fevereiro de 2011

Em tempos...

Em tempos, senti coisas diferentes.
Fui uma pessoa diferente.
Permiti que este amor fosse diferente.
Em tempos.. acreditei em ti, em nós, no amor.
Será errado dizer que tenho saudades dos tempos em que conseguia perdoar todos os teus erros
-fatais
- egoístas
- imaturos
- (...) e,
mesmo assim, no final da noite, após cada dia, ali estava o meu coração, encharcado de amor e vontade de te abraçar como se nada me tivesse ferido.
Como se o amor que sentia superasse tudo no mesmo momento. Tudo se desfazia com um gesto de amor.
Em tempos amei tanto, e errei, porque amei por ambos.
Sustentei este amor.. apenas com o meu sentimento.
Não me apercebi que esses dias, foram os mais longos da minha vida e,
quando sentia o teu corpo junto do meu,
quando ouvia a tua voz,
quando te sentia como meu,
sentia aconchego e não queria sair daquele sonho.
Agora, esses tempos são meras passagens na memória. Quero ir para um lugar que nunca ninguém viu. Um lugar que ninguém sabe onde fica. Um lugar só meu.
E vou deixar aqui o meu coração. Posso muito bem viver sem ele.
Hoje, será tarde para recuperar o ar. Não desejo o teu beijo. Nem tão pouco ao teu lado voar.
Quero a calma, mas sem que a vida pare.
Naqueles momentos passados, em que me embebia com o sentimento que me unia a ti, sabia que não era imaginação minha, tinha aquela vontade incontrolável e sonhadora em estar contigo. A teu lado, sentia uma melodia tão bela.. que entoava aos meus ouvidos como o sopro do vento.
Hoje,
será que tenho o direito de dizer, que eu, aquela que está completamente a desistir de tudo,
tem saudades das risadas inconstantemente saudáveis e irrequietas;
tem saudades da inocência com que te amava;
saudades de te perdoar sem ressentimentos...
Em tempos, pude ser feliz, porque me deixava absorver no sentimento que nutria por ti.
Sinto uma revolta tão grande, porque me sinto uma adulta que foi obrigada a abandonar a inocência dos primeiros anos.
Não entendo o rumo que a vida me fez tomar; quero guardar o que é bom de guardar, mas penso não ser capaz de apagar toda a mágoa que guardo dos erros que cometeste contra o meu coração.
Em tempos, pude escolher ficar. Hoje não posso ficar. Posso escolher partir.
O tempo magoa-me e sinto-me arrancada da minha felicidade. Humilhada aos meus próprios pés por me deixar levar por esta alma que se contenta com tão pouco, e neste tão pouco, o que tens para me dar é simplesmente o nada.
Quero apenas aquilo que virá. Mesmo que nada venha, não quero manter aquilo que tenho.
Diz-me que quando conseguires voltar a pensar em mim, vais entender que o mundo me leva para longe de ti, e que tudo se desfez em gestos que não foram reparáveis.
Tenho Saudades do amor que sentia pelo teu coração.

Hoje, sei que me sacrifiquei demais. O que me falta? Será o tempo, para perceber que a vida é rara?
Quando conseguirei desfazer laços que criei nos meus sonhos e que jamais vi espelhados na realidade?
Este é o tiro certeiro. Quero dizer-te adeus.

O meu olhar

O meu Olhar


O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta ...
Se eu interrogasse e me espantasse
Não nasciam flores novas nos prados
Nem mudaria qualquer cousa no sol de modo a ele ficar mais belo...
(Mesmo se nascessem flores novas no prado
E se o sol mudasse para mais belo,
Eu sentiria menos flores no prado
E achava mais feio o sol ...
Porque tudo é como é e assim é que é,
E eu aceito, e nem agradeço,
Para não parecer que penso nisso...)


Alberto Caeiro

Às vezes é preciso

Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada a dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar.
Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a dizer.
E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração bater desordenadamente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.
Às vezes é preciso partir antes do tempo, dizer aquilo que se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um Deus qualquer que nos dê força e serenidade.
Pensar que o tempo está a nosso favor, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim.
Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizemos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor.
Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.
Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir.
E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar.
Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira.
Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar.
Até se conformar e um dia então esquecer.

Termina aqui esta viagem


Todas as viagens acabam. A minha viagem contigo já teve várias chegadas, accionando vários fins.
Cada vez que quis sonhar mais uma vez, me apercebi que estava a embarcar numa nova viagem que me faria morrer mais um pouco.
A solidão pode doer no peito, matar os nossos sonhos do momento, mas a esperança de um dia melhorar, devia fortalecer-nos no sentido de jamais arriscar em tantas viagens com o mesmo companheiro.
Quem ama, vive apenas uma viagem. Não precisa de chegadas e partidas diariamente flutuantes, cheias de mitos e esperanças baseadas em palavras soltas que logo aquecem o coração.
Todos os dias alguém no mundo inicia ou termina uma viagem.
Todos os dias se fazem planos para novas viagens.
Todos nós somos turistas deste mundo que acreditam nas viagens do amor. Da saudade.
Mas o que mais me inquieta e exalta, diria mesmo, são as crenças no recomeçar.
Inútil.
Como a saudade dos tempos que jamais teremos.
Não tenho medo de assumir a minha dor e desilusão.
Assumo que me sinto culpada pelas oportunidades que dei; pelos bilhetes que te deixei tirar para todas estas viagens.
Hoje (e tantos outros dias anteriores), senti arrependimento por tudo aquilo que eu viajei para te encontrar. Mesmo ao meu lado, nunca te senti, como tal.
O que quero de ti, é uma viagem sem regresso. Tua. Desta vez, eu não irei. Quero ficar aqui. Mesmo que a solidão me torture e que o coração queira matar-me por dentro.
Uma coisa é certa, de todas as viagens se trás algo.
Coloco-me na excepção disso. Nada trouxe destas viagens.
A não ser a infinitude deste sentimento que me destrói à anos!
Em todas as viagens se aprende uma coisa nova. Aprendi, que não sei se o sacrifico traz resolução dos problemas. Aprendi, que palavras de promessa, são meras letras lançadas ao acaso. Aprendi que não te quero.
Não sou feliz.
Não encontrei o que queria.
Ficam os momentos, as peripécias, as gargalhadas, os choros, as recordações. Fica a saudade ou a certeza de não querer voltar a determinado local.

Viajar é assim mesmo.

É ir ao desconhecido, sabendo que podemos amar ou odiar. É um risco que por vezes é pensado e por vezes não. Podemos viajar sozinhos e voltar acompanhados.
Podemos viajar acompanhados e voltar sozinhos! Como eu quero voltar apenas com o meu próprio silêncio.
Podemos viajar sem sair do lugar, e é isto, que eu quero hoje, amanhã e depois... ... viajar ao sabor do vento e, a cada manhã decidir o destino a tomar no dia seguinte.

A escolha é minha.
A viagem da vida, dá sentido a tudo, assim como pode não dar sentido a nada. As nossas viagens já não têm sentido.
É assim mesmo, a viagem é algo que nos embala, numa voz calma, que mesmo quando não dá sentido a nada, nos faz entender quando desembarcar.

E entre várias viagens há uma que termina.


A minha viagem por este amor termina aqui. Na esperança que não regresses. Na esperança de ficar sozinha.

Na esperança de ser eu.

As emoções não acabaram.

Não acabam nunca.

Nem a certeza de continuar a viajar por cada uma delas.

Apenas acabou o seu relato.

Boa Viagem ***

28 de janeiro de 2011

23 de janeiro de 2011

O lado incerto da vida


"Morre lentamente quem não troca o certo pelo incerto em busca de um sonho"
(Pablo Neruda)
O que me inquieta é este chão da alma, que já não é seguro; o que resta de todo o calor que existia em cada noite das nossas vidas?
Os serões em que éramos cúmplices até o amanhecer.
Até te entreguei a alma, quando me deste o sopro que acalmou o meu coração.
Esperei tudo o que tinhas para dar, de peito aberto e, deixei que fosses o meu único caminho e eu a tua pele.
Vários dias me senti - sozinha - e isso permaneceu na memória do meu coração.
Mais tarde, pude entender, que nada se esquece, nada se perdoa, nada desaparece.
Por mais vontade que o meu abraço tivesse de te abarcar em mim.
Por mais sonhos que eu quisesse manter na realidade.
Por mais amor que eu quisesse ter, por ti, alma gémea...
sabia, raios.. como eu sentia que se tinha quebrado tudo.
Não tenho emergências de novos passos, de novos carinhos, de novos sonhos.
Quero acalmar e sentar-me um pouco aqui, a admirar o abrigo que construi e saber que posso contar comigo.
Enquanto escurece, o brilho do mundo cintila em mim.
Enquanto tu sentes que se quebrou o laço do amor, eu estarei aqui, até a memória se apagar.
Que revolta esta, de perder sonhos, que alimentei com a minha alma, durante anos.
Sonhos que vivi e (re)vivi.
Por vezes só,
outras, a teu lado.
Este é o lado incerto da vida, dos sonhos, do amor e de toda esta esperança que nutre esta dor.
Queria abrir o meu coração e apagar as palavras rasgadas em pedaços de nada. Dar os meus sentidos em troca de ser feliz.
Não preciso de razões para te apagar, nem desta loucura que gera o medo que nos faz recuar.
Quero o amor que acaba com a injecção letal mas indolor.
O que renasce não nos fará acordar. Medo. Medo do chão que não cabe mais no coração.
Lado incerto que trará o reverso da tempestade. O sonho. O certo. O correcto.
Ou,
apenas outra visão.
Esperei-te no banco daquele jardim, com o mesmo quadro na parece, repleto de verde das árvores e amarelo da luz do sol.
E tinha tons azuis.
Pois tinha.
Sim tinha.
Tons que se reflectiam no nosso rosto; era o céu no seu esplendor.
Sorri quando te vi, porque me fizeste sentir num lugar que seria um pequeno abrigo, onde eu poderia relembrar sempre aquele dia tão apressado, mas com o futuro nos horizontes.
Toquei-te... na alma, ao mesmo tempo que te aproximavas com o teu abraço.
Cá dentro surgiu o calor que arrancou parte da minha armadura. Confortaste os sentidos no reflexo dos sinais, que nos indicavam o livro do incerto que começaríamos a escrever.
Já rasguei algumas folhas deste romance,
simplesmente porque doía quando me dedicava à sua leitura.
Hoje deixei de lado velhas histórias.
Não quero ler mais.

11 de janeiro de 2011

Caminho do afecto

Hoje desci um pouco à comum realidade, para conseguir escrever este texto sem o coração. Fazer uso fruto de qualquer razão que me tenha restado, nesta parte da alma ferida e transtornada.
Venho escrever sobre a vida, as pessoas ..
..e a união de ambas.
Difícil de me pronunciar sobre isso, porque raras são as vezes em que a vida e as pessoas se cruzam. Vivemos um pouco à parte de tudo e de todos. Até dos nossos caminhos.
Não obstante, gostaria de ter partilhado parte desses caminhos (não) cruzados com as pessoas que mais amei.

Será possível quebrar laços quase-inquebráveis em alguma altura da nossa vida?

Fui descobrindo devagar a procurar por entre as minhas lágrimas, a perdoar aquilo que não entendia. Tantas as vezes que não soube o que dizer e não tive abrigo para voltar, mas sempre destaquei um caminho para nós, como família, que se une na vida.
Hoje sei, que a idade da inocência já faz parte de passos antigos. Custou-me a descobrir o verdadeiro sabor da verdade, do vazio que me brinda com estas fases e reversos. Trago-te aqui comigo, mas isso só me faz sentir mais a liberdade que perdi ao decidir apostar noutro caminho, inverso a esta tentativa de procurar o teu abraço. Que saudades, daquele toque que me fazia sentir tão amada quanto uma cria desprotegida. Amor. Família. Que mais?
O mesmo quadro pintado de negro, nada mais faz sentido. Porque a família é Deus quem escolhe. E eu nem tão pouco sei se acredito Nele.

A tarde não podia ser mais fria, quando ouço as tuas palavras que me magoam e procuram o mais ínfimo dos meus sentimentos. Ergui uma muralha para ti, e para o titulo que impus na minha vida, apenas para ti.
Amor é tão vasto, e tão válido além do laço carnal dos enamorados.
Este laço que me prendia a ti, era de sangue, de amor paternal, de tempo que não se esgota, nos abraços que não esmorecem. Sabia bem voltar ver-te, mas o meu abraço está fechado. Não te quero ao meu lado, mesmo que retires as injúrias sentimentais que pronunciaste acerca desta que tanto te ama.
Este, é o lado negro da saudade. É o caminho que me ensinaste a não guardar.
É a vida que me ensinaste a defender.
E fizeste tudo isto, apenas pela tua capacidade de não estar.
De simplesmente ser ausente. Sentimentalmente, digo.
Peço conforto, aqui, longe do mundo e do caminho que quero percorrer.
Peço conforto e nada mais. Na voz dos que sofrem, peço sinais.
É muito tempo a desejar o tempo a teu lado.
É uma vida a desejar alento e a tentar saber quem és.
Resta a distancia entre o silencio e a voz.
Tu que julgas saber tanto de mim, senta-te cansado ao teu canto e mergulhas na insensatez das pronuncias erradas que perdeste em vão.
Não me escondo mais, nem crio mais gestos para te tocar no coração. Sou quem sou, e não serei salva pelo medo que fujas de mim.
Para que saibas, amo-te na minha essência de filha,
mas este caminho, aquele que transmite e aceita afectos.. encerrou, com data indifenida de retorno.
Não, não devias ter largado a minha mão ao sabor do vento das dificuldades.
Não é urgente perdoar. Um dia. Apenas um dia. Mais tarde. Quando (e se) o tormento passar,
Até lá, guardo-te no coração.







28 de dezembro de 2010

Um Dia aprendes!

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.


E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.


E começas aprender que beijos não são contractos e presentes não são promessas.


E começas aceitar as tuas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com a graça de uma criança e não a tristeza de um adulto.



E aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje, porque o terreno de amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair ao meio em vão.


Depois de um tempo aprendes que o sol queima se ficares exposto por muito tempo.


E aprendes que não importa o quanto te importes, algumas pessoas simplesmente não se importam...


E aceitas que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai magoar-te de vez em quando e tu tens de perdoá-la por isso.


Aprendes que falar pode aliviar as dores emocionais.


Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la e que tu podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás para o resto da vida.


Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo em longas distâncias.


E que o que importa não é o que tens na vida, mas o que és na vida.


E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.


Aprendes que não temos de mudar os amigos se compreendermos que os amigos mudam, percebes que o teu amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.


Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida são tomadas de ti muito depressa, por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vemos.


Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós próprios.


Começas aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que tu mesmo podes ser. Descobres que levas muito tempo a tornares-te na pessoa que queres e que o tempo é curto.


Aprendes que não importa onde chegaste, mas onde vais.


Aprendes que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.


Aprendes que heróis são aqueles que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.


Aprendes que paciência requer muita prática.


que algumas vezes a pessoa que esperas que te calque quando cais é uma das poucas que te ajuda a levantar. Aprendes que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que aprendeste com elas do que quantos aniversários celebraste.


Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que suponhas.


Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são tolices, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.


Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de seres cruel.Descobres que só porque alguém não te ama da maneira que queres que te ame, não significa que esse alguém não te ame, pois existem pessoas que nos amam, mas não sabem como o demonstrar.


Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que, com a mesma severidade com que julgas, serás em algum momento condenado.


Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que o concertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, em vez de esperar que alguém te traga flores.


E aprendes que realmente podes suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensares que não podes mais.


E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida!


As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar."


William Shakespeare

12 de dezembro de 2010

Perspectivas

Tudo poderia ser diferente se não existisse o amanhã,
a nova oportunidade,
o recomeço.
Se o agir tivesse de ser no momento, agora.. nunca depois,

...então seriamos mais, melhor.
Teríamos mais coragem para enfrentar as situações. Ou então não teríamos opção.

Por norma, esperamos sempre que, amanhã, tudo se resolva.





Que o amanhã seja melhor.
Que amanhã tenhamos mais sorte.
Que amanhã apareça a tal pessoa.
Que amanhã os nossos sonhos pareçam mais fáceis de realizar.
Adiamos a vida sem medo, porque sabemos que amanha a vida estará lá.

Podemos pegar no tempo e brincar com ele. Andar para a frente, enquanto olhamos para trás.
Porque sabemos que amanha, podemos repetir tudo de novo. Fazer melhor, fazer diferente.. ou até fazer o mesmo.
Hoje vamos só experimentar. Amanha fazemos isto a sério.

Curioso, como tudo isto, pode ser tão real e como tantos de nós se pode reflectir nestas palavras.

Amanhã estaremos todos cá, e teremos tempo de sobra para fazer o que Hoje, não deu, ou simplesmente não nos apeteceu!
Mas quantas vezes, não foi verdade que depois (que o amanhã) já era tarde demais?

Pensamos: "Devia ter feito isto antes.. agora é tão tarde."
"Já não vou a tempo"...
(...)
Mas,
...certo, é que pouco depois, voltamos ao : "Amanhã resolvo isso"


Como uma perspectiva simples, pode dar-os uma abrangência tão grande acerca da Vida. E até de nós mesmo como pessoas.

Não temos a vida nas mãos e na verdade, Ela, não nos pertence.

Admirada? Não. Nem um pouco.
Mas continuo a achar que amanhã,
amanhã tudo será melhor.

Timming dos Sonhos

Hoje é aquele dia.
O dia em que mais uma vez sinto que sou vencida pela exigência de (e/ou dos) outros e pelo timming quase-perfeito que agarra as nossas decisões e sonhos.
Descobri por entre estes dias nublados em que fingi ser apenas eu,
que os sonhos,
aqueles,
os meus,
os sonhos que existem em nós e por nós..
têm timming para se realizar.

Impingindo por quem nos rodeia, que se julga mais sabedor daquilo que é nosso por direito.
Se o meu caminho for por onde vou.. porque teimam em coordenar o que eu sei fazer.
Poderia desejar que a minha vida voasse para além deste destino que praticamente me colam à pele.
Porque vivemos para realizar sonhos de outrem? Cada um não é Humano suficiente para realizar os seus próprios sonhos?
Impõem e deslocam para nós, frustrações anteriormente vividas por eles mesmos ou por seus conhecidos.
Esquecem-se do fundamental... o timming pertence ao dono dos sonhos.
Sinto-me a percorrer uma estrada que não é minha,
um sonho que não me pertence ...
não neste dia, não nestes meses... não agora!
Porque eu,
quero sentir o sonho. deseja-lo e vive-lo.
Não apenas fazer com que se realize. Com um esforço tão grande que me faz cair na cama ao fim do dia e chorar. Porque não estou realizada. O meu sonho (ou o nosso sonho) está a ser realizado ... não eu.


Na tentativa de fazer valer os meus direitos de autora, expressei que poderia quem sabe... adiar esperar. Não me é permitido, por entre ameaças psicológicas infligidas no meu coração consigo perceber que tenho de continuar.
Custe o que custar. Este já não é o meu sonho.
Porventura já nem será a minha Vida.
Prefiro o abandono que esta prisão de obrigações que caem da algibeira de quem me fez cair na realidade da Vida.
Banhar-nos de vida não dá o direito de escolher o nosso destino.
Quero ser apenas eu, menina da Vida e dos meus sonhos.
Quero ser o timming que só eu sei explicar.


Tudo o resto,
quero longe.
Um dia eu volto a quere-los perto. Por agora quero o abandono de qualquer mão que me lance tempo indevido e demasiado exigente para aquilo que proponho para mim.
Quero eu mesma embalar a minha noite e perder-me nos olhares por ai escondidos na ventania.
Gemer por estar presa à saudade daquilo que ainda não fui capaz de realizar,
por me sentir esquecida nas sombras, sem forças, sem cor e sem vontade.
Mas um dia.. sei mais de mim...
sei que vou transpirar de sonhos que quero mesmo viver e realizar.
Não quero esta dor na alma. Intensa e aguda.
Não,
não quero semear sonhos que depois não vou ter prazer em colher.
Quero aqueles que um dia me aumentem o coração, o sorriso, o futuro.
Mesmo que até lá tenha de ser um restolho... prestes a ser semeado.

Nunca permitam que maltratem os vossos sonhos e o caminho que se sentem capazes de realizar.
É preciso morrer para nascer de novo. Não quero que me acordem. Quero eu mesmo penar para aprender a viver.
Viver por mim, optar por mim, exigir por mim.. não me fará receber aquilo que me aumenta o coração.
Há tantos campos verdes em que podem semear os vossos próprios sonhos.. Não invadam os meus!!!
A nostalgia, o remorso, o entusiasmo, a motivação, a mágoa, as ideias, os sentimentos (...) são meus. Permitam-me ser eu mesma. Ter-me a mim mesma. Ser a decisão do que me pertence.

Não sou forte, nem sou pedra, nem sou sucesso.
Sou antes uma ideia, que se despe do passado.
Se conseguir procuro o meu caminho, e deixo que nesta viagem caia.
Em cada pedra que me faça tropeçar, porque é isso que um dia trará aquilo que sou.
O relógio,
esse quero-o gasto e partido pelo tempo. Vou abolir todos os relógios da minha presente vida.
Assim como todos e qualquer Ser que me queira impor os sonhos que ainda não quero realizar.
Ficarei assim: só e abandonada. E hoje consigo entender, como isso pode ser Bom!!!

20 de novembro de 2010

Reverência ao destino


"Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e reflectir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.E com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.Difícil é sentir a energia que é transmitida.Aquela que toma conta do corpo como uma corrente eléctrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.

Fácil é ouvir a música que toca.Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras.
Difícil é segui-las.Ter a noção exacta de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefónica.Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fracção de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata."


Texto de:


Carlos Drummond de Andrade





9 de outubro de 2010

Sonhadora


Sou uma entre tantas sonhadoras,
nada mais do que uma idealista, ou até uma lunática que levantou o seu próprio universo de fantasias, ficção e sonhos!
Tudo é capaz de se desfazer num lugar que ancora as desilusões da realidade; Realidade essa que me cansa, me atormenta e me faz querer naufragar.
Quantas vezes desistimos por falta de força para encarar a realidade?
Mesmo que a vida mude os nossos sentidos, o mundo continua a levar-nos para longe de nós!
Nada mais resta do que tempo perdido. As pessoas magoam e, consequentemente deixamos de ter espaço no coração para as sucessivas e repetidas oportunidades que estas necessitam.
Mas não são apenas os outros que nos esvaziam em pedaços de nada. Nós mesmos somos a desilusão.
Um rumo, aquele rumo, para onde não queremos caminhar.
O resto que fica e que nada reflecte.
Somos a estrada sem fim que nos enlouquece a cada passo.
Até ao dia em que decidimos afastarmos-nos.
De nós mesmos,
Dos outros,
Da realidade,
E até da imaginária fantasia.

A história repete-se pelo tempo; Estende-se pelos nossos sonhos e tenta permanecer na realidade.
E mantêm-se esta indiferença de sentimentos.
É preciso crescer, envelhecer, viver...para um dia entendermos que não somos imortais e intocáveis.
Sou um pedaço de sonho, uma personagem numa história, com papel secundário.
Porque vivo devagarinho com medo de falhar.
Vou descobrindo como procurar por entre os meus sonhos - os pedaços da realidade.
Tantas vezes que fui ao fundo, sem saber explicar como consegui voltar.
Finjo. Sinto. Ou apenas me deixo ir.
É esta a "forma" que agarro nas minhas mãos para não perder a pouca vida que resta aos meus ideais e sonhos!
Não há um lugar para mim
...e sei que estarei a vida inteira a procurar a liberdade entre o sonho e a verdade.
Há muitos vazios em mim, mas a nenhum posso brindar, porque em nenhum sinto a recuperação; nenhum pode completar-me.



5 de outubro de 2010

Só se pode dar... quem arrisca Sentir!

O mesmo quadro bloqueia os meus lugares. Lugares possivelmente novos e como uma brisa de ar fresco, como quem quer entender o amor.
As armaduras essas, custam a arrancar! Muralhas que sufocam o peito.. não permitem sair nem chegar.


Resta-me este olhar perdido à procura do futuro no avesso do passado!


Resta-me o reflexo da lua que mantêm o sorriso de que me orgulho sentir a teu lado,
até ao tempo em que o momento me esvazia...
Obrigado pela guarida junto a tanta tempestade, e pelo lado quente da tua saudade.
Não podemos simplesmente resguardar-nos (da dor) e jogar fora a chave dos nossos desejos.
És, essencialmente, tudo aquilo que me dás...
Abraça-me bem, mesmo que num leve pensamento das nossas vidas breves.
Sabes o quanto me permitiste ser uma estrela cintilante?
Afastas-te aquele peso que me esmaga o coração, abriste uma nova janela, de onde ouço "Quem és?";
- estendo a minha mão até sentir que não sei nada do que sou, do que somos nós e do que mudou.
Abraça-me no infinito da tua vontade imaculada com a luz da lua.
Procura cá dentro onde me escondi; tenho medo, confesso, medo de dar tudo aquilo que um dia consegui salvar.

Só se pode dar quem arriscar sentir.. tantas vezes as tuas palavras me embeberam deste sentido de vida.


Palavras não quebram desilusões de dor.. pelo menos, aqui na minha realidade.
A vida é feita de sentir, mas deste lado, é tudo tão maior. Tão mais intenso - o bom e o mau - cansei a alma das (sempre) palavras rasgadas pelo vento.
Sinto sempre mais do que aquilo que consigo dizer.. e a vida nada traz em troca, para refazer a cinza que sobrou.
Sei que podemos ser muito mais.. se nos olhamos tão profundamente na vida que é.. por onde ambos encontramos lugares agora menos ausentes.

Há coisas que sinto tal e qual uma tatuagem,
e cada gesto de a reconstruir parece-me perdido. Que guerra que lança gritos da alma.
Sonho, pinto cores misturadas com vento e lama.. e olhares perdidos no chão.
Fica o não voltes, porque um dia.. não soubeste lutar para ficar.

Palavras não tão sóbrias quanto necessário, mas as noites sem rumo precisam de abrigos para o sentir!

Ficas aqui no meu riacho iluminado pelas estrelas. Mesmo que optes por mudar de margem. Estarás sempre no alcance do olhar do meu coração.


24 de setembro de 2010

Vidas Paralelas

Quero impunidade que me permita continuar presa a estes desejos de indecisão que me podem afastar de ti.
Em momentos de indecisão, dizem, devemos seguir o coração.
... e Ele? Segue-nos sempre que dele precisamos?
O amor só se perde depois de quebrar toda a saudade que se pode abrir debaixo dos nossos pés na ausência.
Sinto-me aqui, como se uma presença eu tivesse de assumir. Com todos os riscos que isso acarreta para os momentos que tenho e poderia ter.
Não quero mais do que pequenos momentos, sem ter de tomar as grandes decisões da Vida.
Hoje,
Hoje não.
Volto quando conseguir assumir que o amor dura mais que os sentidos.

20 de setembro de 2010

Dia do Coração

Permanece lá fora a madrugada, mas algo me inquieta e impede o meu adormecer.
O meu coração nunca questionou o amor, mas a minha razão está sempre a fazê-lo.

Pergunto-me várias vezes - racionalmente - numa tentativa de duvidar por mim mesma do que me rodeia,
se existe o amor verdadeiro de que tantos falam.

Existem dias que julgo que não,
outros em que gostaria de dizer que sim,
e depois há dias, como o de hoje, em que o coração se enche de fantasia e acredita no amor além da razão.

Sinto-te aqui próximo de mim e é neste momento que sei que unificas e completas o meu pensamento e a minha vida; as almas gémeas não são mais que o completar do que falta em nós.
Tal como a margem quando adoecemos gravemente a meio do rio.
Nunca deixes de me amar nem de lutar por esta dádiva que caiu do céu, tal e qual uma estrela cadente.
A propósito, sabias que o teu coração é a minha casa?
Há dias em que não me apetece regressar a casa, porque estou chateada. Outros, tenho a certeza que é o meu único local de conforto; mas sabes? Em ambas as vezes, sei que tens a porta aberta para mim.
Gostava que todos nós arriscássemos mais por amor, que lançássemos mais setas do cupido e que contemplássemos a verdadeira essência de ser: o amor.



Não passa de um sonho que podemos realmente viver. Sim, Ele existe. Porque cada pedaço de nós mesmos é uma prova de amor.
Cada dia que passa procuro controlar esta parte derrotista que existe na minha razão;
..... porque nos falham tantas vezes os sonhos pelo qual um dia prometemos lutar?
Caímos demasiadas vezes; muitas mais do que aquelas em que nos levantamos . E estamos sempre a permitir quedas em vez de nos agarrarmos a algo que nos faça sonhar e sorrir levemente.

Não sou uma mulher apaixonada, pelo menos, não tanto como gostaria, porque estou a descobrir o amor a cada dia da minha vida,
não posso dizer que o conheço ou que o vivo na sua plenitude.
Contudo e na minha singela opinião, é assim que vale a pena vive-lo: dia após dia, sem o conhecer.

Quero dizer-te que sinto um sorriso no meu olhar,
poderias pensar que surge pelos bons momentos em que envolvemos os nossos corações,
também,
mas sobretudo pelos momentos imperfeitos que nos controem e completam, tal e o qual um puzzle.
São estes últimos, que nos transformam a cada dia em melhores amantes.
Já chorei quando queria sorrir.
Mas talvez hoje sorria, porque um dia chorei! Chorar parece algo que contraria a vida? Não. É algo que nos enuncia como verdadeiras essências.

Acreditem no amor e façam com que todos os dias seja: o dia do coração.



Sugiro ainda, que assistam a este filme. Pode abrir muitos corações bloqueados à razão.

"Letters to Juliet",

traduzido: "Cartas para Julieta":






10 de setembro de 2010

Escrevo

Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura.
Esses, sim, são os bons.
Eu só escrevo para fazer afagos.
Para obter os pequenos abrigos, para onde posso sempre fugir.
E,
porque eu tinha de encontrar um jeito de amortizar as quedas,
quando o tempo me esvazia os sonhos.
Diminuir o cansaço de sempre.
Endurecer as crises que incendeiam muralhas e apagam os olhares quentes.
Este é o fogo que conforta os meus sentidos,
o que permite resistir às marcas deixadas na alma.
Sabe bem.
Não manter sempre,
o mesmo quadro que me sorri da parede
Posso estreitar distâncias.
Ou possui-las como uma concha que posso abraçar na minha mão.
Há muitas distâncias em mim
Uns escrevem grandes obras.
Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, no mundo dos sonhos.



17 de agosto de 2010

Perdas e danos


Há dias que me encontro numa neura letárgica,
em que tudo o que me rodeia se limita ao silêncio ensurdecedor e (de) interessante desta alma, escrava dos meus desejos e desta indecisão.
Não existe aquela estimulação, que me faça querer-te tanto e que seja capaz de te dar a imunidade.
Não vou poder dar o pouco que restou de mim, enquanto esta obsessão me afastar de ti.
Tenho a fria sensação que indica que estou ainda presa à primeira vez que me perdi na solidão dos teus segredos,
na qual e, inevitavelmente guardei a dor dessa paixão dentro de mim.
Hibernei de alma e coração.
Sem paciência está o meu coração; sem espaço para as meras circunstâncias que trazem apenas mais um dia de magia, ternura e emoção.
É este somente o tempo que tens para me dar? Aquele que vai e vem?
Vidas estranhas. Sem tempo para chegar às verdadeiras emoções.
Noto ainda em mim, uma expressão cáustica, de espectadora profissional - os homens são todos tão parecidos..; arriscaria dizer que nos hospitais as mães já não "dão à luz", mas existem sem dúvida várias fotocopiadoras alinhadas numa fila comodista e religiosamente elaborada, que originam as reproduções dos homens de hoje. Aqueles que hoje não sabem demonstrar paixão única num coração.
Creio que cada um é uma cópia infiel de um outro. Sem talento natural ou inato.. sem almas distintas.
Os sonhos, esses, não espreitam através do olhar.
Aceita-se o tudo e o nada, apenas porque sim. Porque os caminhos são difíceis de percorrer e nós gostamos é de esperar que as causas perdidas se transformem em milagres realizáveis.
Tantas fugas de nós mesmos.
Tanto faz.
Não consigo entender porque se separam os amores. Aqueles que na vida e nos corações deviam ser eternos.
Separações depois de intensos e espantosos romances de duas almas unificadas,
não encaixam bem na minha visão quase-compreensiva do mundo, das coisas, de mim e dos outros.
A solidão que sinto tem um sabor agri-doce. Bastam-me algumas horas para a saborear e aproveitar na sua essência positiva...
após isso, retorno aos olhos que produzem dor e retratam o amargo que tudo isto me traz.
São tantas as perdas, tantos os danos..
mas tanto faz. Dizemos "até um dia" e tudo se encaixa perfeitamente na gavetinha dos pensamentos passados.
Que forma estranha de lidarmos com o que ainda é parte de nós.
Sei o que sinto, quando os meus olhos te ignoram. Sei de ti, sem saber onde. Não continuo a procurar-te. Parei para repor tantos danos.
Sou muito mais do que aquilo que te invento. Não fica mais nada para contar.
Porque dói saber que amanhã andarás pelas tuas ruas...

6 de agosto de 2010

O mundo corre veloz



Tudo no quotidiano pode ser feito de várias maneiras. O incrível é quando e, apesar das tantas maneiras prováveis.. não somos capazes de interagir e aplicar nenhuma.

Salva-me o talento de saber desenhar com letras e fazer pinturas de sonhos... com as cores da vida que me
restaram.
Faço tantas pinturas que não sei apagar. Cada lugar eu marco na ponta do pincel que exibe as cores marcadas de amor.
A vida tem rumos e caminhos tão bons de guardar. Quero esse lugar mais dentro onde só chega quem sabe ficar.

A minha ânsia nesta busca de ti é sempre numa esperança de sermos um só outra vez.
Agora, ânsia esta, que me faz acreditar que tenho medo de voltar a naufragar. Medo de sair deste cantinho só meu. Medo que a vida se desfaça num gesto atado a um lugar teu e meu.

Tenho sempre presente, os momentos felizes (e os outros). Tantos outros além destas margens comuns dos rios.
Comuns memórias onde espero (sempre)encontrar mais vitórias que derrotas. Agora, quero apenas descansar deste suplicio de emoções que vivi até aqui.
Sabes,
o meu coração reparte-se por entre os
medos e dúvidas.

Pego no papel branco reluzente de luz e na minha caneta preta.
Bem escura como a solidão e é de lá me saem palavras. Palavras devidamente ordenadas para fazerem sentido. Sentido de explicar.. Sentimentos.E por minutos perco-me!
Envolvo-me em pensamentos que me trazem alento.
O mundo corre veloz.. mas eu continuo aqui no meu porto de abrigo... espero as decisões levadas pelo vento.
Não naufrago porque não embarco.
Não hoje.

30 de julho de 2010

A Sorte (a) nula

Somos nós que geramos e criamos os nossos sonhos.
Também depende de cada um, a realização suprema dos mesmos.
Não tenho fé na sorte; acredito mais na coragem e na construção dos limites e das fortalezas em cada um de nós... guio-me pelas conquistas possíveis e impossíveis.
Sorte é uma estrada sem saída, que nos mantêm iludidos e bloqueia novas opções e realidades.
Por vezes preferimos acreditar nesses caminhos, que supostamente nos protegem de tudo aquilo que desconhecemos.
Mas é diferente, acreditar na Vida e acreditar na Sorte.
Puramente sucesso através da sorte! Tantos que adquirem poder desta forma irreal e ilusória.
Mas esse sucesso manter-se-á, até ao dia em que seja fulcral aplicar a sabedoria, a coragem, a inteligência... caracteristicas cruciais, até então não mencionadas neste rol de acontecimentos, chamados Vida!
Não me importo, perder tempo com tentativas erradas. Não faz mal chorar em vez de rir.
Porque sei, que atingi, que consegui... e isso pertence-me!
A sorte a (nula) quem somos e o que conquistamos
.

22 de julho de 2010

Só sei que...



"Estou a descobrir outra vez o amor.
E isso leva tempo."
(Contigo)

Paulo Coelho

19 de julho de 2010

Ligação (in) finita

"Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou

O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!"

Florbela Espanca




Não queria que estas minhas lágrimas continuassem a fazer lembrar o teu sorriso. Mas, que insensatez esta,que ainda te sente do outro lado de mim, aquele que permanece na tola esperança. Que cintila de paz e recordações que me fazem sentir só.

Ainda balança em mim a ternura do teu abraço, o toque das tuas mãos nas noites mal dormidas. Os espaços que partilhamos enquanto escurecia e o brilho do mundo a entrar em nós.

Balança a minha vida sem ti. Não sei ser sem a parte de ti que me completou na luz de voar. Agarras a minha mão e prendes-me, mas sabes que não me estás a salvar... rasgaste tudo o que sentimos com o vento ardente a soprar o coração. Fui descobrindo devagar e aprendendo a procurar por entre os sonhos que permanecem no ínfimo que não entendo.

Mas tantas tantas vezes (como esta) o vento não me sabe a liberdade. Fujo ao vazio, enquanto brindo à vida,

mas sabes? Trago-te comigo e sinto a tua fala, o teu olhar, o teu corpo imperfeito na minha recordação.

Assusta-me descobrir este final e voltar a aceita-lo todo o resto dos meus dias. Ainda és um mundo dentro das minhas mãos fechadas... Falha-me tudo o resto, nada se volta a colar.

Será perigoso dizer que ainda sei de cor cada pedaço teu e, que estás atado a mim, a cada lugar meu. Lugar que agora deveria ser: apenas meu.

Não pensas em mim,

eu penso em ti e protego aquilo que te dou. Não tenho defesas que me ajudem a não falhar... ainda tenho medo de naufragar em falsos alentos e paixão. Tudo o que já foi e até o que eu sonhei... não sei apenas guardar. Quero viver sem recordar... Dar ao tempo um espaço perdido, e que nada se desfaça num gesto maligno ancorado a cada gesto teu.

O mundo não muda os meus sentidos, mas tudo me parece perdido em castelos de fantasia que guardei para proteger o que fui a teu lado. Hoje é apenas isto, que me faz acreditar... que não tenho onde chegar. Porque tenho medo,

medo de naufragar nas ondas ilusórias da paixão. Não a tua, porque essa já evaporou do meu ser. Mas aquela, ou a outra... ou nenhuma. Apenas medo. Sem saber nadar por entre estes medo.

Coração acelera (tens de acelerar a cura em ti).

Eu fingo ter paciência.

Mas o mundo não pára.



13 de julho de 2010

Amor (Tudo é amor)


Tudo é amor.

Até o ódio, o qual julgas ser a antítese do amor,

nada mais é senão o próprio amor

que adoeceu gravemente.


[Francisco Cândido Xavier]

12 de julho de 2010

A estranha (em mim)

Nesta madrugada, que se fantasia de raios quentes como fortes laços serenos de frio, tive um sonho,

sonho este sobre um rapaz (...) que julgava eu, já ter partido de mim.
Tu (meu amor) eras um sonho; agora: um sonho destruído. Por mim? Não! Eu lutei (mas não, não superei).
Por ti? Talvez (dói menos pensar assim?).
Prefiro (na ignorância dos sentimentos que me invadem constantemente a alma pura e sacrificada), que, meu amor, tenha sido a vida a destruir (nos). Ela escolheu por nós. Desafiou. Criou e não recuperou.
Esse sonho de que eras feito e que para mim, tristemente se desfez no ar e nunca mais a vista alcançou.
O tempo esvazia qualquer coração. Até o meu, sempre tão cheio de amor, por ti.


Mas a alma precisa de um sonho para sonhar. Um mundo para abraçar. Um coração que a dor consiga suportar.
E tu não estás ao alcance dela, da minha alma, perdida, incontrolável e até fechada.


Se ao menos tivesses sonhado....
Hoje escrevo sobre a ausência.
Que desperta a estranha que sou.
Não uma qualquer, mas aquela: a ausência de pensamentos, de actos e de partilha. A ausência de sentir e de pensar. Ausência de palavras, de gestos, de gritos, de esperança.
E a perda de tempo em que se torna a vida.
Ausência de alguém, de um sorriso, de um olhar, a ausência de tentar.
A ausência de atitude!
Hoje escrevo sobre a ausência, a ausência de amar.
Ainda estremeço ao ouvir falar de ti. A fonia das letras do teu nome, soam num uníssono tão perfeito. Desesperado, mas perfeito, porque me recordam o quanto foste em mim.
Ainda me comove o jeito como as minhas recordações me inundam o olhar de gotas de orvalho.
A voz, o espírito, ainda estão entranhados em mim.
Entre a linha do absurdo e do real, eu me encontro (ou nem sei se aí estarei).


Pensamentos vagos, ideias esquisitas pairam e re-pairam sobre mim. Mas afinal em que penso eu? Em ti? Não! Naquele? Também não! Na outra? Não me parece. Parece apenas que estou perdida no meio de desilusões, amores vagos e sem sentido. Uma perda de tempo sem sentido, mas que não me consigo livrar.
Preciso de me livrar de mim própria e alcançar-me.



Perguntas no final deste sonho: Precisas de alguma coisa?
Respondo-te com o meu pobre coração a querer soltar-se: Paz.
(Espera, não sei se ainda estava no sonho.. provavelmente, já terá sido real).


6 de julho de 2010

Espelho da alma

Tristeza... a que me quebra, acompanha....
Solidão... a que em mim se espalha e,

me dilacera o coração...
Lágrimas... as que caem pelas minhas mágoas.

Rosto quente em si gelado de
vontades... As que já foram verdades...

Um sonho (sonho?) que vivi, senti, amei, sorri... (passado)
(e tanto mais que não descrevi)

Um pesadelo que não pedi (pesadelo, ermo, quente e terreno.. naquela que fui) ...
Sensações que me proibi de experimentar...
Essas que me dedicavas, quando dizias amar...

Que aqui coabitam na dor e no amor que sucumbi por ti.
Sempre preferi sentir que no fundo de mim,

encontra-se o sinónimo de amor,
que será Dor?
Senti algo. Seria vida, amor... ?
Hoje... prefiro a dormência dos sentidos,
Dormência. Sono. Equivalência.
Perdida na proeminência do que não restou de ti.
Pesadelo (e outro pesadelo) que criaste na ausência dos meus gritos...
gritos que tantas vezes presenteaste...tanto,
quanto ignoraste na audição selectiva com que me amaste!
Nem sei quando cheguei ao meu fim..
Tudo o tempo mudou... acima de tudo,

o tempo já não é. Foi.
Um espelho que não se partiu...
uma história que não se reproduziu,
(mentiu),
mas que aprisionou as almas que alguma vez,
alguém amou.
Preferia o estilhaço, o quebrado, o que não se recupera,
pois, que me tivesses arrancado um pedaço,
para justificar este sentir da dor que se criou...

e ficou e,
ficou!
De um amor que eu vivi,

amor pelo qual eu cresci, dei e formatei ...
Amor, que foi mais que palavras banais em tempos .
Espelho da alma que guardei,
não de ti,
mas por mim e apenas de mim.

4 de julho de 2010

O que há em mim é sobretudo cansaço ...


O que há em mim é sobretudo cansaço

Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...


Álvaro de Campos