19 de fevereiro de 2011

Voz no silêncio

Se a verdade estivesse no fundo do mar, não me importava de esperar sentada na areia; até ao dia em que os murmúrios da água trariam até mim, a sorte.
Se a vida tivesse algum significado, atrevo-me a dizer que este vem com as ondas do mar - salgadas e frias.
Mantenho as minhas pegadas na areia húmida marcada pela proximidade do mar - falta-me o ar e não encontro as palavras certas para entender esse teu lado perverso - oh vida!
Quis fugir, após ter encontrado sentido a uma prece que sempre quis cumprir; Fugi para não ter de encarar a falta de certezas e os "mas" da vida.
Fugi porque queria que a saudade fosse embora; fugi porque não quero voltar a chorar mais por dentro, do que por fora.
Não ganho nada, é certo. Mas perder também não faz parte destes planos a curto prazo.
É sempre assim? Quando acreditamos em algo na nossa vida?
Caímos sempre no desespero de não alcançar o que desejamos?
A música está alta, e o tempo está a meu favor!
Deixo que a tristeza passe no meu rosto, mas não permito que permaneça.
Não quis construir grandes sonhos, em cima de bases falíveis do conhecimento mútuo. Fui cuidadosa, aliás, fui cautelosa - mas o facto é este: não adianta o quanto queremos controlar a vida e os sentimentos - somos pedaços de nada comparados à força do que existe para nós.
Destino? Sei lá bem... Nunca fui capaz de acreditar no destino; que aberração acreditar-se em planos que o universo tem para nós.
Mas como sempre, acabamos sempre por aprender... e pergunto, que queres para mim, Universo?
Filtro toda a luz que existe na escuridão dos movimentos do coração.
Concluo que avançar é erróneo.
Fico aqui, com a minha voz no silêncio,
que posso quebrar com a tua vontade.

Novo dia (parte IV)

"Tanto tempo que passei à espera deste sorriso que provocas em mim; esta sensação de bem estar eterno."
Joana, volta a perder-se nos seus próprios pensamentos e não esmorece o sorriso que mantêm no seu rosto,
agora um pouco rosado, pelo constrangimento que sente.
- " Hoje o dia está particularmente quente, não concordas? Um bom dia para encontrar alguém especial! Mas.. nem era preciso este sol, pois não?!
Joana, não acredita no que acabou de ouvir. Miguel estaria mesmo a dizer aquilo, ou seria (e como sempre) fruto da imaginação dela?

- "Hum.. acreditas que prefiro a chuva? Julgo que sou uma mulher do frio." Diz Joana; Sorri e prossegue,
-" Mas este sol, bem.. o sol que hoje trouxeste até mim; este, não trocaria por nada!".

"Que vontade louca de percorrer todos os caminhos a teu lado. És doce e, percebi isso através do brilho deste momento.!" Pensa Joana.

Miguel não deixa esconder alguma emoção,
- " Pareço um desesperado. Exactamente a atitude que não iria querer ter perante ti. Desculpa-me. Mas admito que ultimamente me sinto um realizador de curtas metragens.!"

Permanece o silêncio.

Miguel num tom delicado e tímido convida Joana,
-" Queres acompanhar-me num passeio? Pelas ruas da cidade; até não podermos mais? Não precisamos de proferir nenhuma palavra. Não agora. Teremos toda a vida para isso."

- " Este é o melhor plano que poderia ter para o dia de hoje.!"

Lado a lado, e de mão entrelaçada caminham em silêncio, sem se sentir abandonados por um sorriso,
sorriso este, tão óbvio que transparece felicidade.



18 de fevereiro de 2011

Desabafos do Coração

Não quero falar de nada, mas preciso de falar acerca de tudo; quando há qualquer coisa que sufoca, precisamos de libertar o coração para que este, possa procurar ajuda.

Há uns anos atrás, pensei ter tudo aquilo que havia para possuir, fruto talvez da imaturidade emocional - o pouco que tinha, satisfazia o meu mundo e completava o meu coração.
Com o tempo, fui percebendo que eram mais as vezes em que chorava, que aquelas em que era realmente feliz.

Era mais aquela sensação do "estou bem". Mas na verdade "bem" não devia ser suficiente para nós; não deveríamos querer mais?
Na vida temos de estar sempre em equilíbrio, certo? Tal e qual uma balança. No mínimo, tantos momentos bons como momentos menos bons.
Mas durante anos, o sabor da minha vida era agri-doce; muitas das vezes, simultâneamente. Sentia-me em completo desequilíbrio emocional.

Não posso omitir que fui feliz em alguns momentos destes que hoje recordo, mas por mais que me queira recompor, lembro-me sempre daquilo que me feriu e de certa forma, moldou a pessoa que sou hoje.

Após vários anos de obstáculos, chegou o dia em que o inevitável aconteceu. Continuei a amar, mas desta vez, sabia que não tinha mais defesas para poder continuar neste vaivém de emoções; de avanços e recuos; de tristeza e de sorrisos; de sim e não; de amo-te, preciso de tempo; de mimos e frieza; de surpresas e apatia; de tudo e nada.
Hoje sei, que a vida não é somente aquilo que fazemos dela; é mais; a vida é tudo.
O conforto que sinto a teu lado, abafa a minha dor - chamo-lhe amor companheiro; há uns tempos não queria mais nada, porque me perdi sem rumo certo e me deixei vencer pelo cansaço.
Amor é isto que tivemos - erros e perdão - esta foi a essência da nossa vida comum.
Agora, entendo a montanha russa em que vivi, e acima de tudo, sou grata pelo teu companheirismo. Mas paixão, aquela paixão que arde intensamente e afasta toda a nossa tristeza... ficou num passado bem distante - antes de tudo nos ferir o peito.
Não tenho fé no amor de amanhã - nem contigo, nem com outra pessoa. Mas sinto-me bem, porque ganhei força para vencer as coisas menos boas, sem ter de fingir que estas não existem.
Que liberdade que sinto em mim, a poesia corre pelas minhas veias como se me tivessem devolvido a alegria.
Amar é difícil; é melodia que nem sempre entoa com perfeição. É a luz que nem todos abraçamos.
Mas a liberdade, aquela que é nossa, por direito, é o maior prazer de todos os tempos.
Uma alma livre é antes de tudo, a prioridade.
Digo-te aqui, baixinho: Obrigado por me proporcionares esta aprendizagem de vida.

Novo dia (parte III)

Segundos após se virar, Joana, só se consegue concentrar naquele sorriso. Meigo e doce, mas forte.
As palavras atropelavam-se no pensamento, mas não são reproduzidas pelos lábios.
Murmura para si mesma "Joana, diz alguma coisa! Olha a figura que estás a fazer.. Mas que sorriso apaixonante, que toque tão suave!
Pronto, lá estás tu a sonhar. Cai na realidade e diz alguma coisa coerente e sem pareceres uma maluca desesperada."
Joana sorri, como consequência do seu próprio pensamento e diz de forma calma:

"- Ola, sou a Joana e, estou bem, não te preocupes.
Eu é que peço desculpa pela inversão de trajecto inesperada.
E tu, estás bem?"

"- Ola! Miguel" - diz o desconhecido estendendo a mão.
Joana sorri de forma sincera e profere, estendendo também a mão.
"- Miguel! Prazer. Mas julgo não ser necessária esta apresentação formal.".

Ambos sorriem. E ficam petrificados com os olhares. Ali mesmo. O mundo parou.

17 de fevereiro de 2011

Novo dia (parte II)

Joana, continua o seu caminho, irritada consigo mesma, por se deixar absorver por sonhos que nunca conseguiu realizar, além da própria imaginação.

Decide portanto, voltar para casa. Quer descansar no seu porto de abrigo, mas não consegue evitar dizer para si mesma:
" O que queria mesmo, era encher a minha mão com areia da praia e vê-la cair lentamente sobre a água do mar. Tal e qual, cinzas da minha alma.".

Presa neste pensamento, inverte o seu caminho e encosta subtilmente o ombro a alguém que por ali passa, naquele exacto momento.

Diz: - "Desculpe.", ao mesmo tempo que continua caminho com os olhos postos no chão.

Dá dois passos e pára. Fica imóvel por segundos e não reconhece como válida aquela acção que o seu corpo tomou.

" Lindo, agora paras aqui no meio da rua, a fazer de mim uma idiota. Só a mim!Vamos para casa".

O corpo não obedece ao seu pensamento e, o coração acompanha-o, quando começa a acelerar estranhamente.

Joana sente então uma mão sobre o seu ombro, e alguém bem perto do seu pescoço:
"- Estás bem? Desculpa se te magoei.".

Decidida a pôr fim aquela situação, Joana roda o seu corpo no sentido do relógio e fica frente a frente com o desconhecido...

16 de fevereiro de 2011

Novo dia (parte I)

Ouvem-se risos intensos do lado de fora, que interrompem o descanso de Joana naquela manhã.
Esta, não perde tempo, levanta-se e corre para a janela, nunca perde a novidade das coisas, abre as cortinas vermelhas e deixa entrar a brisa do sol, quente como só ela. Repara então que no jardim em frente, um grupo de crianças electrizadas já aproveita o calor do dia.
Joana sorri e pensa que não tem muito mais que fazer em casa. A vida espera-a do outro lado das paredes.
Cuida das suas rotinas quotidianas, e sai.
Passa pelo jardim e sorri para as crianças, como agradecimento deste acordar diferente; estas, respondem-lhe com um aceno de mão, como convite para se juntar a elas; Joana agradece com um beijinho que deixa esvoaçar pelo vento, mas explica que hoje não.
Percorre por minutos as ruas da cidade; como ela adora aquela cidade. Sabe-lhe a liberdade, a paixão e a conquista.
Esta cidade sempre esteve a seu lado, de noite ou de dia, na tristeza e na alegria, na guerra e na paz. Tal como um casamento perfeito.
Joana ama aquela cidade, de coração; cidade que a acolheu e, sente que é ali que encontrará o seu caminho.
Passear pela cidade fazia dela a princesa do seu próprio reino, de corpo e de mente, adorava cair a seus pés.
O sol ajudou o seu estado de espírito e, Joana, decidida a esquecer a dor ardente da alma, pega nas armas, tal como uma guerreira e deseja profundamente, que aquele dia seja o novo dia.
Todas as pessoas passam, com indiferença e, Joana não se assume uma perdedora, sabe que um dia, alguém iluminará o seu dia.
Tudo corria normalmente nessa manhã, até ao momento em que Joana sente um aperto no coração , que exige que ela encoste o seu corpo naquele banco de jardim, mesmo ali ao lado. Permanece quieta por uns minutos.
Fecha os olhos e, esconde a dor que está a sentir. Como sempre, e sonhadora como é, deixa-se invadir pelos desejos que têm para si.
Abre os olhos sobressaltada e, castiga-se mentalmente por ser sempre a mesma idiota. Que vive no mundo da fantasia.
- "Um dia vou fechar esta porta! Dos sonhos, que me iludem os passos! Só para ver se me desfaço ao sabor da solidão!".
Após esta frase que soletra, sem se aperceber, em voz alta, continua o seu caminho.

Explorar o mundo

O amanhecer deixou entrar um mundo inteiro, cheios de sonhos e lugares perdidos que posso explorar.
Não sei se o luar me fará procurar por ti, mas não vou esperar, vou arriscar.
Partir, enquanto dormes e voltar enquanto não raiar o dia.
Não vou demorar.


Vou somente explorar o mundo, o meu mundo. Despertar para a vida.
Posso usar atalhos, mas voltarei sempre atrás, para percorrer (todo) o caminho completo.
Sem receio de encontrar palavras fracas e sem verdade. Obstáculos, incertezas ou desmaios.
Há sempre no escuro, um brilho.
Tenho até a salutar ideia que foi assim que me cruzei contigo - ao acaso.
Transformei isto num filme e numa história.
Realizável ou não.
Um dia saberei. Vou descortinar tudo em pedaços que posso guardar.
E vou.. vou até conseguir descobrir quem sou, contigo.


Estou cansada. Mas há sempre um sorriso que nos salva daquilo que a vida nos fez. Abrigo que não deixa morrer quem nós somos e o que temos para dar...por isso que sigo o teu brilho.. e exploro tudo que poderei ser. Um dia. Contigo ou sozinha.


Vamos explorar - lado a lado.



15 de fevereiro de 2011

Citação




"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.


É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa
Foto, Bom Jesus, Braga. De B*

Aventura-te

Seduz o meu corpo e acompanha a minha respiração
Navega e desancora a tua alma
nos mares a que te entregas.
Despe as tuas roupas,
como se fosses um vagabundo.
Corre, deixa-te levar pelos desejos,
que são quentes,
que se colam ao corpo e,
te embalam até quereres voltar.
Aventura-te.
A fantasia é quente e apetece.
Devias mergulhar mais vezes neste sopro de magia.
Aventuras. Sente-as. Vive-as.
Aventura-te.
Deixa-te levar pelo vento quente,
que te marca a pele até quereres voltar.
Segue o rasto que deixo ficar,
convite a que venhas comigo.
Aventura-te.
Madrugada e ainda não puseste em prática
todas as ideias rebeldes que há em ti.
Aventura-te.
Entrega tudo em ti, mas devagarinho,
esse pode ser o caminho certo para me encontrar.
Não tenhas medo de naufragar.
Aventura-te.
Fica em mim, abraça os meus sonhos e,
os desejos que não realizei jamais.
Lá fora o vento soa a liberdade e,
há tanta gente perdida que só balança e,
não brinda à vida, nem tão pouco se aventura.
Eu, trago-te comigo. No mais irracional de mim.
Guardo-te nos gestos mais loucos
capazes de te transformar num herói.
Aventura-te.
Procura-me por entre os sonhos teus e,
enlouquece-me com o fundo do teu olhar.
Finges que não estas aí e,
evitas a verdade
que diz que serás tão meu,
como o sol que me corre no olhar.
E é este teu sabor que toda a vida procurei.
Em cada gesto perdido, enlouqueces o que há em mim e,
fazes com que meu coração proclame somente:
- Aventura-te!

Deixa-te levar

Tens esse dom tão especial, que faz sorrir uma vida inanimada. Ao teu lado, fico bem.

Que dom tão natural que atravessa o deserto da minha alma. Que sorriso especial.

Assim, eu fico bem. Tens o segredo de alquimia.
Todas as pessoas possuem o seu Dom, mesmo que muitas das vezes esteja encoberto pela mágoa envolta em defesas existenciais.
Vamos fazer um filme? Temos o cenário perfeito e alguém já fez a nossa canção. Afinal não é nada impossível fazer um filme com final feliz.
É tarde, e a cidade parece já ter adormecido, mas eu quero ficar acordada até o cansaço cair sobre mim,
imagino o teu abraço apertado, mas não te sinto aqui. Estou presa entre quatro paredes.
Quero o teu beijo que mata a sede e ganha à força do mar; Quero o presente e futuro que há-de vir. Quero a palavra certa no rascunho perfeito.
Dom, és o dom que quero conquistar. Mais do que o sol quente que me alegra em dias frios.
Lá fora, a calma do rio corre nas veias do meu corpo, falta-me o ar e sinto um aperto no peito. Preciso da brisa que vêm, como aquelas das tardes de Verão.
És aquele dom,
o dom que imaginei. És aquela canção, a que chegou após tanto tempo para me impressionar.
Só porque sim, sem muitos porquês. Sabes que para variar, para ser diferente, não vamos fazer perguntar nem interpretar.
Sai do teu resguardo, vem daí conhecer a cidade iluminada pela lua, a meu lado, mesmo que em silêncio. Percorremos as ruas com uma música a embalar os nossos passos. Podemos até nem perceber nada daquilo que dizemos, mas talvez seja melhor assim - deixa-te levar.
Segura a minha mão e caminha pela vida; a noite cheira a inocência e o teu corpo a rebeldia.
Sinto-me viva, sinto-me livre.
E agora, não quero continuar a falar. É melhor não dizer nada. Deixa-te levar.

Palavras sentidas

Hoje o mundo está despido pelo vento e tudo o que resta permanece no meu olhar.
Escuto todo este silêncio com calma e, procuro os pontos comuns entre duas pessoas que procuram um lugar perdido (o mesmo lugar quem sabe).

Não vamos permitir o silêncio que engloba as nossas palavras, vamos sim, dar-lhes mais sentido. Mais propensão. Mais vivências.
És igual a mim, fazes pinturas de guerra e protegeste do sol e da lua, com medo das tormentas que se podem registar.
Em cada grito da alma, és igual a mim, tudo te alucina e prende. Esqueces a mistura fantástica que o sol e a fantasia podem romper em nós.

Ficas no teu canto, recatado, e invisível. Não tens coragem de afastar todo esse peso que te esmaga o coração.

Não continues a perguntar quem és... sente, antes, aquilo que poderás ser.

Quando libertares as amarras com que prendes os teus sentimentos e as palavras que usufruem do poder de amar.

Procuro aí dentro, onde te escondes. Quero salvar-te. Não há outra forma de ficarmos perto.

Só pode voar quem arrisca cair; só demonstra palavras sentidas quem as permitir.

14 de fevereiro de 2011

Intensa paixão



Os meus dedos escorregam pelo teu corpo e,
sentem a timidez da tua pele.
Abraço o teu olhar com intensidade e,
procuro cada gota de suor que provoco em ti.
Procuro o teu contacto na minha nudez e,
imploro que encontres todos os meus segredos.
Arrancas-me suspiros que disfarço com sorrisos e,
desejos que envolvo em fantasias e,
que vou sussurrando no teu ouvido
bem junto ao pescoço e,
sinto-te,
sinto o teu cheiro que estimula o mais intenso de mim.
Posso sentir-te a respirar aceleradamente.
Apanhei-te nos meus encantos, nos meus enredos e,
algemo-te aos meus sentimentos.
Paixão, hoje és isso para mim.
Paixão desmedida e dia sem fim.
Agarra-me, prende-me a ti,
não te limites ao mesmo de sempre.
Produz em mim um novo olhar, uma nova fantasia.
Sente o meu corpo a ser possuído por uma intensa
onda de prazer... que me faz tremer de paixão.
Não acabes já, não apagues esta chama que nos une.
Inspira-me.

"Mas.."

"Mas":
Há sempre um nas nossas vidas,
um ou mais;
às vezes muitos;
outras vezes são tantos,
até demais.
O "mas" de hoje é aquele que retrata neste momento no meu rosto os traços da tristeza e incerteza...
Não tenho medo dos "mas" da vida, pois permitem-me ser uma pessoa mais racional, não tanto movida em vão pelos sentimentos que ferem a luz azul que planeio para mim.
Há sempre mais a realizar, que ultrapassa qualquer "mas".
Não quero continuar com as muralhas que ergui em volta do meu peito, que te mantiveram aqui e de certa forma, me impediram de partir.
O conforto dos sentidos já não faz de mim aquilo que desejo ser.
Quero marcas deixadas na pele, sentimentos que estejam ao meu lado. Gestos que rasguem o meu vazio. Luz que me faça sentir o chão. Sombra que encubra o que resta de alguma dor plantada em vão. Beijos que desafiem o limite dos meus desejos. O vento que entoa nos meus cabelos a música de amor que gosto de ouvir. Quero um corpo que embale o meu, quente. Fantasias que sejam mornas e doces. Por vezes rebeldes. Soltas. Reis e castelos, o mar e caravelas para navegar num sopro de magia, seguidas de madrugadas que nos deixam no maior êxtase de sempre.
Mesmo que exista um "mas" quero ter coragem,
sim coragem,
de me dar - quando sinto que a tempestade pode começar.. pois é na tempestade que melhor podemos caminhar. E vencer. E lutar . E receber. E ser nós mesmos.
Nunca foste um "mas" na minha vida, foste o menino que me pediu: nunca me esqueças.
Hoje, esse som já não ecoa na minha cabeça e, imagina, nem no meu coração.
Não mais voltarei a adormecer perto de ti, onde mora a fantasia; queres tocar.. mas já não se pode ter o que se soprou devagarinho para longe, distante, inalcançável.
Hoje, uma estrela acendeu-se na minha mão, e tu não podes vê-la, porque te recusaste a senti-la.
Não vou ser escrava dos "mas", nem uma menina frágil, com uma folha de papel, a escrever rascunhos carregadas de mágoa.
Nos sonhos, pode ser apenas a noite, sem nunca surgir o raiar do dia.
Não quero saber.
Não espero nada mais que a minha própria capacidade de me surpreender.

Agora, o mundo já não me deixa parar. Decisão que é tomada deve ser cumprida. Ao fundo, ouço o mar que silenciosamente me mostra o sabor da maresia e do ar quente da noite.
Fingimos não entender nada da vida, não perceber como os "mas" surgem no nosso caminho (...), mas sabemos que tudo depende de nós.

Não há "mas" que resista aos sonhos!

13 de fevereiro de 2011

Imensidão do céu

Hoje tenho os olhos fechados, e a imagem que passa através dos sentidos... é aquela que quero exactamente ver.
A luz azul que filtrou o meu coração abandonado, as tuas mãos e o teu rosto, iluminado por o sorriso que me trouxe aquilo que nunca a imensidão do céu me deu.
Na mesa está um papel rasgado que ficou esquecido, e sinto o sol a espreitar pela janela e a desenhar um plano infinito na nudez da minha pele.
O que resta do escuro é aquilo que colei ao passado.
Já nada é intacto e tudo chega de forma alucinada, preenchido de sonhos com alguma neblina.
Hoje, não...
...não me esqueço de sonhar.
Os dias jamais voltarão a ser iguais aos outros dias; num segundo, qualquer coisa me virou do avesso e o sopro de um sorriso faz balançar o meu coração e contaminou os sonhos e o cansaço.
Possivelmente ninguém nos consegue alcançar através de um simples sorriso (?).
Tenho as minhas dúvidas acerca disso.
O sorriso é apenas isso mesmo: a pessoa que está por trás dele.
E é a pessoa que me fascina, cativa e mantém presa nas palavras trocadas horas a fio.
E é apenas isso que quero entender,
qual o fundo e a realidade das palavras que estás a esquecer-te de gritar.
Sem juras, sem promessas, sem medos. Sem mas. Com sal.
Apenas o desarmar das palavras. E tudo o que a vida faz em mim. E fará de mim.
Posso sonhar apenas hoje, apenas agora, apenas aqui.
Mas sei, que sonhei.
Sei que (ainda) tenho esta capacidade.
E nem toda a imensidão do céu é capaz de apagar o sorriso que deixaste, perdido na noite e em mim...
fiquei misturada entre a esperança e as estrelas..
.. estou a procurar o meu lugar, mesmo que continue à deriva pela multidão. Mesmo que o sorriso não seja nada.
Gosto de caminhar por entre as esperanças: pode ser que encontre perdido o olhar de alguém.

Quero gestos loucos e fogo quente, que permanece mais perto dos corações.
Hoje tirei estes minutos para sonhar; tirarei mais dois ou três para pensar no "mas"... sem me deixar abolir por ele.

Vou deixar voar os sonhos e sentar-me um pouco a ver o mar e imaginar que te poderei ter no meu abraço.

Sinto os teus passos provenientes por entre a escuridão.
O meu mundo será soprado para dentro de ti e aí não haverá mais nada a fazer.
Não importa que por vezes tudo seja breve como o sopro do vento - Com loucura quero oscilar o teu mundo.
Nem que seja apenas no meu pensamento.

12 de fevereiro de 2011

Partilha


Just Breathe - pearl jam

Não costumo partilhar músicas, mas hoje, seria de extremo egoísmo não o fazer.

Basta respirar...
Apreciar as coisas simples da vida,
tal como esta canção,
partilhada hoje por alguém que me fez acreditar nos sonhos.
Obrigado por esse momento.

Livro dos sonhos

Não sabemos, mas existe um livro na vida de cada um de nós,
esse livro é denominado de: livro dos sonhos.
Podemos rever a nossa vida e até sonha-la mais além da sua própria existência.
Aqui descrito, está cada lugar e cada rumo que a vida nos faz percorrer.
É aquele lugar mais dentro de nós, onde só chegam os nossos desejos.
Arrancamos por vezes, algo que já sonhamos. E abraçamos momentos que nem imaginamos.
Os nossos sentidos, esses, também estão lá, no tempo que além de perdido, é mágico e ilimitado aos lugares que queremos sentir e viver.
Acredito tantos nos meus sonhos, e este meu livro faz-me acreditar que um dia, não terei medo de amar, de ser livre.
No dia de hoje neste livro, está desenhada uma rosa e um rio.
A rosa traz-me a lembrança dos lugares que vivi atada a ti, ao nosso amor e aos nossos sonhos comuns.

O rio,
bem, o rio, mostra-me que não devo ter medo de avançar.
Neste livro, somos imortais e conseguimos olhar a vida de frente, porque nada nos assusta e não há lugares a que não conseguimos aceder.
Quero-te tanto, é só aquilo que quero dizer.
Quero-te a ti, sonho cintilante e vida que me agarra.
Quero em troca a calma, pelo fogo e pela loucura em que a minha vida se transformou.
Quero lançar a cinza, que nada mais é que a prova de que nada sobrou.
Existem pessoas neste livro, que nos fazem sorrir, que nos fazem sonhar.. mesmo que seja de forma efémera.
Pelo menos, bem, pelo menos, temos esta capacidade de perceber que a nossa alma não desapareceu junto com a esperança de um passado diferente.
Basta respirar.. basta abrir o nosso livro a cada madrugada.

11 de fevereiro de 2011

As Crianças


" Todas as crianças têm direito a tentarem manter-se acordadas até tarde numa noite de Verão, na esperança de verem uma estrela cadente e pedirem três desejos (a justiça devia fazer acontecer sempre pelo menos um).


(...)Todas as crianças têm direito a imaginar o que vão querer fazer quando forem grandes (habitualmente coisas extravagantes) e a perguntar aos adultos «o que queres ser quando fores pequenino?».(...)


Todas as crianças têm direito a ter um boneco de peluche preferido, especialmente quando velho, já lavado e mesmo com um olho a menos.


Todas as crianças (especialmente se já adolescentes) têm direito a usar os ténis preferidos, mesmo que rotos e com cheiro tóxico.


Todas as crianças têm direito a poder tomar banho sozinhas e a experimentar mergulhar na banheira contando o tempo que aguentam sem respirar.


Todas as crianças têm direito a jogar aos polícias e ladrões, preferindo inevitavelmente serem ladrões.


(...)Todas as crianças têm direito a acreditar que têm um adulto que olha por elas e as ama sem condição prévia (nem que seja o Nosso Senhor).


Todas as crianças têm direito a viver felizes e a ter paz nos seus pensamentos e sentimentos. "


In Crescer Vazio, Pedro StechtRead

10 de fevereiro de 2011

Em tempos...

Em tempos, senti coisas diferentes.
Fui uma pessoa diferente.
Permiti que este amor fosse diferente.
Em tempos.. acreditei em ti, em nós, no amor.
Será errado dizer que tenho saudades dos tempos em que conseguia perdoar todos os teus erros
-fatais
- egoístas
- imaturos
- (...) e,
mesmo assim, no final da noite, após cada dia, ali estava o meu coração, encharcado de amor e vontade de te abraçar como se nada me tivesse ferido.
Como se o amor que sentia superasse tudo no mesmo momento. Tudo se desfazia com um gesto de amor.
Em tempos amei tanto, e errei, porque amei por ambos.
Sustentei este amor.. apenas com o meu sentimento.
Não me apercebi que esses dias, foram os mais longos da minha vida e,
quando sentia o teu corpo junto do meu,
quando ouvia a tua voz,
quando te sentia como meu,
sentia aconchego e não queria sair daquele sonho.
Agora, esses tempos são meras passagens na memória. Quero ir para um lugar que nunca ninguém viu. Um lugar que ninguém sabe onde fica. Um lugar só meu.
E vou deixar aqui o meu coração. Posso muito bem viver sem ele.
Hoje, será tarde para recuperar o ar. Não desejo o teu beijo. Nem tão pouco ao teu lado voar.
Quero a calma, mas sem que a vida pare.
Naqueles momentos passados, em que me embebia com o sentimento que me unia a ti, sabia que não era imaginação minha, tinha aquela vontade incontrolável e sonhadora em estar contigo. A teu lado, sentia uma melodia tão bela.. que entoava aos meus ouvidos como o sopro do vento.
Hoje,
será que tenho o direito de dizer, que eu, aquela que está completamente a desistir de tudo,
tem saudades das risadas inconstantemente saudáveis e irrequietas;
tem saudades da inocência com que te amava;
saudades de te perdoar sem ressentimentos...
Em tempos, pude ser feliz, porque me deixava absorver no sentimento que nutria por ti.
Sinto uma revolta tão grande, porque me sinto uma adulta que foi obrigada a abandonar a inocência dos primeiros anos.
Não entendo o rumo que a vida me fez tomar; quero guardar o que é bom de guardar, mas penso não ser capaz de apagar toda a mágoa que guardo dos erros que cometeste contra o meu coração.
Em tempos, pude escolher ficar. Hoje não posso ficar. Posso escolher partir.
O tempo magoa-me e sinto-me arrancada da minha felicidade. Humilhada aos meus próprios pés por me deixar levar por esta alma que se contenta com tão pouco, e neste tão pouco, o que tens para me dar é simplesmente o nada.
Quero apenas aquilo que virá. Mesmo que nada venha, não quero manter aquilo que tenho.
Diz-me que quando conseguires voltar a pensar em mim, vais entender que o mundo me leva para longe de ti, e que tudo se desfez em gestos que não foram reparáveis.
Tenho Saudades do amor que sentia pelo teu coração.

Hoje, sei que me sacrifiquei demais. O que me falta? Será o tempo, para perceber que a vida é rara?
Quando conseguirei desfazer laços que criei nos meus sonhos e que jamais vi espelhados na realidade?
Este é o tiro certeiro. Quero dizer-te adeus.

O meu olhar

O meu Olhar


O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta ...
Se eu interrogasse e me espantasse
Não nasciam flores novas nos prados
Nem mudaria qualquer cousa no sol de modo a ele ficar mais belo...
(Mesmo se nascessem flores novas no prado
E se o sol mudasse para mais belo,
Eu sentiria menos flores no prado
E achava mais feio o sol ...
Porque tudo é como é e assim é que é,
E eu aceito, e nem agradeço,
Para não parecer que penso nisso...)


Alberto Caeiro

Às vezes é preciso

Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada a dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar.
Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a dizer.
E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração bater desordenadamente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.
Às vezes é preciso partir antes do tempo, dizer aquilo que se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um Deus qualquer que nos dê força e serenidade.
Pensar que o tempo está a nosso favor, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim.
Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizemos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor.
Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.
Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir.
E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar.
Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira.
Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar.
Até se conformar e um dia então esquecer.

Termina aqui esta viagem


Todas as viagens acabam. A minha viagem contigo já teve várias chegadas, accionando vários fins.
Cada vez que quis sonhar mais uma vez, me apercebi que estava a embarcar numa nova viagem que me faria morrer mais um pouco.
A solidão pode doer no peito, matar os nossos sonhos do momento, mas a esperança de um dia melhorar, devia fortalecer-nos no sentido de jamais arriscar em tantas viagens com o mesmo companheiro.
Quem ama, vive apenas uma viagem. Não precisa de chegadas e partidas diariamente flutuantes, cheias de mitos e esperanças baseadas em palavras soltas que logo aquecem o coração.
Todos os dias alguém no mundo inicia ou termina uma viagem.
Todos os dias se fazem planos para novas viagens.
Todos nós somos turistas deste mundo que acreditam nas viagens do amor. Da saudade.
Mas o que mais me inquieta e exalta, diria mesmo, são as crenças no recomeçar.
Inútil.
Como a saudade dos tempos que jamais teremos.
Não tenho medo de assumir a minha dor e desilusão.
Assumo que me sinto culpada pelas oportunidades que dei; pelos bilhetes que te deixei tirar para todas estas viagens.
Hoje (e tantos outros dias anteriores), senti arrependimento por tudo aquilo que eu viajei para te encontrar. Mesmo ao meu lado, nunca te senti, como tal.
O que quero de ti, é uma viagem sem regresso. Tua. Desta vez, eu não irei. Quero ficar aqui. Mesmo que a solidão me torture e que o coração queira matar-me por dentro.
Uma coisa é certa, de todas as viagens se trás algo.
Coloco-me na excepção disso. Nada trouxe destas viagens.
A não ser a infinitude deste sentimento que me destrói à anos!
Em todas as viagens se aprende uma coisa nova. Aprendi, que não sei se o sacrifico traz resolução dos problemas. Aprendi, que palavras de promessa, são meras letras lançadas ao acaso. Aprendi que não te quero.
Não sou feliz.
Não encontrei o que queria.
Ficam os momentos, as peripécias, as gargalhadas, os choros, as recordações. Fica a saudade ou a certeza de não querer voltar a determinado local.

Viajar é assim mesmo.

É ir ao desconhecido, sabendo que podemos amar ou odiar. É um risco que por vezes é pensado e por vezes não. Podemos viajar sozinhos e voltar acompanhados.
Podemos viajar acompanhados e voltar sozinhos! Como eu quero voltar apenas com o meu próprio silêncio.
Podemos viajar sem sair do lugar, e é isto, que eu quero hoje, amanhã e depois... ... viajar ao sabor do vento e, a cada manhã decidir o destino a tomar no dia seguinte.

A escolha é minha.
A viagem da vida, dá sentido a tudo, assim como pode não dar sentido a nada. As nossas viagens já não têm sentido.
É assim mesmo, a viagem é algo que nos embala, numa voz calma, que mesmo quando não dá sentido a nada, nos faz entender quando desembarcar.

E entre várias viagens há uma que termina.


A minha viagem por este amor termina aqui. Na esperança que não regresses. Na esperança de ficar sozinha.

Na esperança de ser eu.

As emoções não acabaram.

Não acabam nunca.

Nem a certeza de continuar a viajar por cada uma delas.

Apenas acabou o seu relato.

Boa Viagem ***

28 de janeiro de 2011

23 de janeiro de 2011

O lado incerto da vida


"Morre lentamente quem não troca o certo pelo incerto em busca de um sonho"
(Pablo Neruda)
O que me inquieta é este chão da alma, que já não é seguro; o que resta de todo o calor que existia em cada noite das nossas vidas?
Os serões em que éramos cúmplices até o amanhecer.
Até te entreguei a alma, quando me deste o sopro que acalmou o meu coração.
Esperei tudo o que tinhas para dar, de peito aberto e, deixei que fosses o meu único caminho e eu a tua pele.
Vários dias me senti - sozinha - e isso permaneceu na memória do meu coração.
Mais tarde, pude entender, que nada se esquece, nada se perdoa, nada desaparece.
Por mais vontade que o meu abraço tivesse de te abarcar em mim.
Por mais sonhos que eu quisesse manter na realidade.
Por mais amor que eu quisesse ter, por ti, alma gémea...
sabia, raios.. como eu sentia que se tinha quebrado tudo.
Não tenho emergências de novos passos, de novos carinhos, de novos sonhos.
Quero acalmar e sentar-me um pouco aqui, a admirar o abrigo que construi e saber que posso contar comigo.
Enquanto escurece, o brilho do mundo cintila em mim.
Enquanto tu sentes que se quebrou o laço do amor, eu estarei aqui, até a memória se apagar.
Que revolta esta, de perder sonhos, que alimentei com a minha alma, durante anos.
Sonhos que vivi e (re)vivi.
Por vezes só,
outras, a teu lado.
Este é o lado incerto da vida, dos sonhos, do amor e de toda esta esperança que nutre esta dor.
Queria abrir o meu coração e apagar as palavras rasgadas em pedaços de nada. Dar os meus sentidos em troca de ser feliz.
Não preciso de razões para te apagar, nem desta loucura que gera o medo que nos faz recuar.
Quero o amor que acaba com a injecção letal mas indolor.
O que renasce não nos fará acordar. Medo. Medo do chão que não cabe mais no coração.
Lado incerto que trará o reverso da tempestade. O sonho. O certo. O correcto.
Ou,
apenas outra visão.
Esperei-te no banco daquele jardim, com o mesmo quadro na parece, repleto de verde das árvores e amarelo da luz do sol.
E tinha tons azuis.
Pois tinha.
Sim tinha.
Tons que se reflectiam no nosso rosto; era o céu no seu esplendor.
Sorri quando te vi, porque me fizeste sentir num lugar que seria um pequeno abrigo, onde eu poderia relembrar sempre aquele dia tão apressado, mas com o futuro nos horizontes.
Toquei-te... na alma, ao mesmo tempo que te aproximavas com o teu abraço.
Cá dentro surgiu o calor que arrancou parte da minha armadura. Confortaste os sentidos no reflexo dos sinais, que nos indicavam o livro do incerto que começaríamos a escrever.
Já rasguei algumas folhas deste romance,
simplesmente porque doía quando me dedicava à sua leitura.
Hoje deixei de lado velhas histórias.
Não quero ler mais.

11 de janeiro de 2011

Caminho do afecto

Hoje desci um pouco à comum realidade, para conseguir escrever este texto sem o coração. Fazer uso fruto de qualquer razão que me tenha restado, nesta parte da alma ferida e transtornada.
Venho escrever sobre a vida, as pessoas ..
..e a união de ambas.
Difícil de me pronunciar sobre isso, porque raras são as vezes em que a vida e as pessoas se cruzam. Vivemos um pouco à parte de tudo e de todos. Até dos nossos caminhos.
Não obstante, gostaria de ter partilhado parte desses caminhos (não) cruzados com as pessoas que mais amei.

Será possível quebrar laços quase-inquebráveis em alguma altura da nossa vida?

Fui descobrindo devagar a procurar por entre as minhas lágrimas, a perdoar aquilo que não entendia. Tantas as vezes que não soube o que dizer e não tive abrigo para voltar, mas sempre destaquei um caminho para nós, como família, que se une na vida.
Hoje sei, que a idade da inocência já faz parte de passos antigos. Custou-me a descobrir o verdadeiro sabor da verdade, do vazio que me brinda com estas fases e reversos. Trago-te aqui comigo, mas isso só me faz sentir mais a liberdade que perdi ao decidir apostar noutro caminho, inverso a esta tentativa de procurar o teu abraço. Que saudades, daquele toque que me fazia sentir tão amada quanto uma cria desprotegida. Amor. Família. Que mais?
O mesmo quadro pintado de negro, nada mais faz sentido. Porque a família é Deus quem escolhe. E eu nem tão pouco sei se acredito Nele.

A tarde não podia ser mais fria, quando ouço as tuas palavras que me magoam e procuram o mais ínfimo dos meus sentimentos. Ergui uma muralha para ti, e para o titulo que impus na minha vida, apenas para ti.
Amor é tão vasto, e tão válido além do laço carnal dos enamorados.
Este laço que me prendia a ti, era de sangue, de amor paternal, de tempo que não se esgota, nos abraços que não esmorecem. Sabia bem voltar ver-te, mas o meu abraço está fechado. Não te quero ao meu lado, mesmo que retires as injúrias sentimentais que pronunciaste acerca desta que tanto te ama.
Este, é o lado negro da saudade. É o caminho que me ensinaste a não guardar.
É a vida que me ensinaste a defender.
E fizeste tudo isto, apenas pela tua capacidade de não estar.
De simplesmente ser ausente. Sentimentalmente, digo.
Peço conforto, aqui, longe do mundo e do caminho que quero percorrer.
Peço conforto e nada mais. Na voz dos que sofrem, peço sinais.
É muito tempo a desejar o tempo a teu lado.
É uma vida a desejar alento e a tentar saber quem és.
Resta a distancia entre o silencio e a voz.
Tu que julgas saber tanto de mim, senta-te cansado ao teu canto e mergulhas na insensatez das pronuncias erradas que perdeste em vão.
Não me escondo mais, nem crio mais gestos para te tocar no coração. Sou quem sou, e não serei salva pelo medo que fujas de mim.
Para que saibas, amo-te na minha essência de filha,
mas este caminho, aquele que transmite e aceita afectos.. encerrou, com data indifenida de retorno.
Não, não devias ter largado a minha mão ao sabor do vento das dificuldades.
Não é urgente perdoar. Um dia. Apenas um dia. Mais tarde. Quando (e se) o tormento passar,
Até lá, guardo-te no coração.







28 de dezembro de 2010

Um Dia aprendes!

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.


E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.


E começas aprender que beijos não são contractos e presentes não são promessas.


E começas aceitar as tuas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com a graça de uma criança e não a tristeza de um adulto.



E aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje, porque o terreno de amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair ao meio em vão.


Depois de um tempo aprendes que o sol queima se ficares exposto por muito tempo.


E aprendes que não importa o quanto te importes, algumas pessoas simplesmente não se importam...


E aceitas que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai magoar-te de vez em quando e tu tens de perdoá-la por isso.


Aprendes que falar pode aliviar as dores emocionais.


Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la e que tu podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás para o resto da vida.


Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo em longas distâncias.


E que o que importa não é o que tens na vida, mas o que és na vida.


E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.


Aprendes que não temos de mudar os amigos se compreendermos que os amigos mudam, percebes que o teu amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.


Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida são tomadas de ti muito depressa, por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vemos.


Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós próprios.


Começas aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que tu mesmo podes ser. Descobres que levas muito tempo a tornares-te na pessoa que queres e que o tempo é curto.


Aprendes que não importa onde chegaste, mas onde vais.


Aprendes que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.


Aprendes que heróis são aqueles que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.


Aprendes que paciência requer muita prática.


que algumas vezes a pessoa que esperas que te calque quando cais é uma das poucas que te ajuda a levantar. Aprendes que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que aprendeste com elas do que quantos aniversários celebraste.


Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que suponhas.


Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são tolices, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.


Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de seres cruel.Descobres que só porque alguém não te ama da maneira que queres que te ame, não significa que esse alguém não te ame, pois existem pessoas que nos amam, mas não sabem como o demonstrar.


Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que, com a mesma severidade com que julgas, serás em algum momento condenado.


Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que o concertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, em vez de esperar que alguém te traga flores.


E aprendes que realmente podes suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensares que não podes mais.


E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida!


As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar."


William Shakespeare